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Migrantes do navio humanitário Aquarius são autorizados a desembarcar em Malta

25/09/2018 15h59

Os 58 migrantes resgatados no Mediterrâneo pelo navio humanitário Aquarius tiveram permissão para desembarcar em Malta nesta terça-feira (25), segundo anúncio do chefe do governo maltês, Joseph Muscat. Eles serão distribuídos entre a França, a Espanha, Portugal e Alemanha.

"Os 58 migrantes a bordo do Aquarius serão transbordados em um navio maltês em águas internacionais e levados para Malta", publicou o primeiro-ministro Joseph Muscat em sua conta no Twitter. Um porta-voz do governo disse que os sobreviventes serão "imediatamente transferidos para outros quatro países europeus", assim que a logística permitir. "O governo de Malta está participando desse esforço em bases puramente humanitárias", disse.

Um pouco mais cedo, Portugal anunciou que tinha assinado um acordo com a França e a Espanha para acolher dez dos refugiados. A decisão de recebê-los foi tomada "em solidariedade com a Espanha e a França", afirmou o Ministério do Interior português em comunicado oficial.

A Alemanha é o quarto país a ser incluído neste acordo de transferência de migrantes, segundo o governo francês. Uma fonte do governo da França afirmou ainda que a Alemanha e a Espanha receberão cada um 15 desses 58 migrantes, enquanto a França ficará responsável por 18 refugiados.

Na segunda-feira (24), o navio fretado pela SOS Mediterrâneo zarpou para o porto de Marselha, no sul da França, na esperança de que as autoridades francesas permitissem "excepcionalmente" o desembarque de migrantes que estavam a bordo. Mas o governo sugeriu na manhã desta terça-feira que o navio atracasse em Malta, provocando a ira de partidários da esquerda francesa, que denunciou uma atitude considerada "irresponsável" e "inaceitável".

Resposta europeia à crise dos migrantes que chegam pelo Mediterrâneo

O Aquarius, que foi rejeitado pelo Panamá, é o último navio humanitário a viajar pelo Mediterrâneo com o objetivo de ajudar os migrantes que tentam chegar à Europa por via marítima. Desde o início do ano, mais de 1.250 pessoas morreram afogadas tentando atravessar o local.

Malta já havia recebido o Aquarius em meados de agosto, num desembarque com 141 migrantes e, no final de junho, ancorou o navio Lifeline e seus 233 sobreviventes. Mas, a cada vez, o governo maltês exigiu garantias de seus parceiros europeus antes de abrir seu porto, para que os refugiados a bordo dos barcos fossem distribuídos em outros Estados-membros do bloco.

Paris considera a ação como um esboço do mecanismo de solidariedade europeia que a França defende, em resposta ao fechamento dos portos italianos desde o verão.

(Com informações da AFP)