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Em Londres, segundo turno é marcado por protestos do #EleNão e pró-Bolsonaro

28/10/2018 12h15

Os brasileiros ignoraram a chuva fina e a temperatura de seis graus, e vieram mais cedo e mais numerosos votar no segundo turno da eleição presidencial neste domingo (28).

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

De um lado da calçada, eleitores que apoiam o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, gritam “ele, sim” e “a minha bandeira jamais será vermelha”. Também entoam o hino nacional. 

Para João Mendes, que veio votar cedo para participar da manifestação, como no primeiro turno, é preciso que a eleição transcorra com normalidade e que Bolsonaro vença com larga margem. Na avaliação do brasileiro, só o capitão poderá trazer as mudanças necessárias para o Brasil. “Com braço forte, ele trará as mudanças para o país. Estamos diante de muita corrupção, fraudes. O povo está sofrendo. Não acho que ele vá acabar com a toda a corrupção, mas será firme como tem de ser”, salientou. Cerca de 100 pessoas carregam faixas e microfones.

Do outro lado da calçada, grupos contrários à Bolsonaro reúnem partidários do PT e outro movimentos de ativistas pelos direitos humanos. À RFI, Cristiane Guimarães, afirmava que estava ali em um grupo de mulheres contra o fascismo e pela democracia. “Todos os partidos aqui são bem-vindos. Queremos a vitória da democracia”, disse. 

Britânicos em apoio ao movimento #EleNão

Não muito distante da brasileira que vive em Londres há quatro anos e trabalha como produtora, outro grupo chamava atenção. Nenhum dos cerca de 15 membros presentes falava português. Pertecem ao Workers Liberty, movimento de trabalhistas e sindicalistas britânicos. Eles não participaram dos protestos do primeiro turno. 

Segundo Daniel Randall, um de seus integrantes, são ativistas contra o fascismo, pela democracia. “Somos anti-fascistas, democratas, feministas. Estamos acompanhando o que está acontecendo no Brasil e no resto do mundo. Existe uma onda de extrema direita pelo mundo, como vimos com a eleição de (Donald) Trump, o Brexit aqui no Reino Unido, Itália, Filipinas e tantos outros. É uma onda global e a reação precisa de global também”, afirmou Randall.

Organização melhorou no segundo turno

Com medo da espera de quase quatro horas no primeiro turno, as pessoas preferiram não arriscar. Desta vez, o tempo de espera até a urna era de uma média de 40 minutos na manhã deste domingo. Para agilizar o fluxo de pessoas e reduzir o tempo de espera, o governo brasileiro contratou uma empresa especializada em grandes eventos, que, junto com os funcionários do consulado e da embaixada organizavam a fila e ajudam os eleitores a identificar a sua seção. 

Metade da praça Waterloo, onde foram montadas tendas para conferir a documentação dos eleitores, foi fechada. Cancelas de metal foram espalhadas pelo trajeto do eleitor para organizar a fila. E uma das ruas em frente à embaixada foi fechada para evitar que os protestos que estão sendo realizados durante o dia prejudiquem ainda mais o trânsito no centro da capital. 

Quase 26 mil eleitores inscritos

Ainda é cedo para dizer se mais gente terá se apresentado às urnas em Londres nestas eleições. Há 25.885 eleitores inscritos em todo o país, que, além da Inglaterra, inclui Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Em 2014, eram 16 mil inscritos. O quarto maior colégio eleitoral no exterior (fica atrás de Boston, Miami e Tóquio) e o maior da Europa, reúne profissionais liberais, executivos, estudantes, trabalhadores que deixaram o Brasil atrás de uma vida melhor. Imigrantes legais e irregulares. No primeiro turno, 9.715 pessoas votaram. Já estão previstos novos protestos em frente à Embaixada durante a votação.

Em Londres, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro teria vencido a eleição já no primeiro turno, quando obteve 51,29% dos votos. Foram 4.797 dos 9.353 votos válidos. Em seguida, vieram Ciro Gomes, com 20,76% e Fernando Haddad com 10,96%.

João Amoedo ficou com 9,12% dos votos válidos. Marina Silva e Geraldo Alkmin tiveram 251 e 242 votos, respectivamente. Foram 181 votos brancos e 181, nulos. O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles só registrou 25 votos.

No primeiro turno, as pessoas deixaram para votar depois do almoço, quando a fila era imensa. Para organizadores da eleição, o fim do horário de verão na Europa pode ajudar, pois permitiu que os eleitores hoje acordassem mais cedo, depois de ganhar uma hora a mais de sono.