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Movimento dos "coletes amarelos" já provoca impacto negativo na economia francesa

26/11/2018 17h25

O ministro francês da Economia e das Finanças, Bruno Le Maire, alertou nesta segunda-feira (26) para o impacto negativo do movimento dos "coletes amarelos" iniciativa cidadã que vem paralisando estradas e cidades há alguns dias no país. Os shoppings centers registraram uma queda de 15% no sábado, apesar da operação "Black Friday".

O ministro francês da Economia e das Finanças, Bruno Le Maire, alertou nesta segunda-feira (26) para o impacto negativo do movimento dos “coletes amarelos” iniciativa ...

“Os eventos recentes tiveram um impacto severo na atividade econômica do país”, declarou Le Maire, dois dias após novos protestos que perturbaram o comércio e fizeram estragos em Paris, mas também nos territórios ultramarinos franceses. No entanto, segundo o ministro, ainda é “muito cedo” para avaliar as repercussões concretas do movimento no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre.

Mesmo assim, o Conselho Nacional de Centros Comerciais (CNCC) da França já começou a calcular o prejuízo. Segundo a entidade, que federa os shoppings do país, a frequentação caiu 9% durante o fim de semana do “Black Friday” e essa baixa seria fruto da mobilização dos “coletes amarelos”.

O dia mais difícil para os comerciantes foi sábado (24), quando a queda de frequentação foi de 15%. “Esse fim de semana, a apenas algumas semanas do Natal, é um momento estratégico para o comércio”, lembrou, preocupado, Gontran Thüring, do CNCC.

Além dos shoppings, o impacto também se sentiu em outros setores. Restaurantes registraram uma baixa entre 20% e 50% no fim de semana. Já os agricultores começam a contabilizar o prejuízo. Com as estradas bloqueadas, as entregas de frutas e legumes foram atrasadas provocando perda total de toneladas de alimentos. 

“Liberdade de Comércio”

O ministro francês tenta conscientizar os manifestantes sobre os riscos dos protestos para a economia do país. Ele chegou a defender que os comerciantes têm o direito de trabalhar, apesar do movimento de contestação, e alegou que existe uma “liberdade de comércio e de circulação” que deve ser garantida.

Enquanto isso, o movimento se multiplica e começa a se desenvolver além das fronteiras francesas. Uma manifestação dos coletes amarelos já está prevista para sexta-feira (30) em Bruxelas, na Bélgica.

A mobilização começou na França após o anúncio do aumento dos combustíveis em razão da criação de um imposto visando lutar contra a poluição. Mas o movimento logo ganhou ares de revolta contra a queda do poder aquisitivo e a gestão do presidente francês Emmanuel Macron. Numa tentantiva de acalmar os ânimos, o chefe de Estado deve anunciar novas medidas nesta terça-feira (27).