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Campeã europeia: 48,4% do PIB da França vem dos impostos

2018-11-30T19:07:05

30/11/2018 19h07

Em meio aos protestos dos Coletes Amarelos, contra o aumento anunciado no preço dos combustíveis e agora também em oposição à perda do poder de compra, o organismo de estudos estatísticos da União Europeia, o Eurostat, anunciou nesta semana que a França permanece campeã da arrecadação de impostos entre os países do bloco.

Em meio aos protestos dos Coletes Amarelos, contra o aumento anunciado no preço dos combustíveis e agora também em oposição à perda do poder de compra, o ...

Na França, os impostos representaram 48,4% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 – a mais alta taxa da UE. É a terceira vez que a França recebe o “título” de rainha tributária: em 2016 e 2015, o número ficou na faixa de 47,7%. O país fica na frente da Bélgica, com 47,3% do PIB oriundo de taxas, da Dinamarca (46,5%), da Suécia (44,9%) e da Finlândia (43,4%).

Os países onde os impostos tiveram pouco impacto no PIB no ano passado são a Irlanda, com 23,5% de arrecadação, a Romênia (25,8%) e a Bulgária (29,5%). Em média, na União Europeia, a arrecadação de impostos representa 40,2% do PIB.

A França fica, segundo o relatório do Eurostat, no quinto lugar entre os países onde o peso dos impostos mais subiu nos últimos anos, atrás apenas de Chipre, Luxemburgo, Eslováquia e Malta. No total, com relação a 2016, as receitas fiscais aumentaram sua contribuição ao PIB em 15 estados membros da UE. Houve uma queda em treze países, como a Hungria, a Romênia e a Estônia.

Como revela o jornal Le Figaro, na França as taxas para serviços sociais representam 18,8% do PIB, contra uma média europeia de 13,3%. Na contramão do bloco europeu, os impostos salariais e patrimoniais na França giram em torno de 12,8%, enquanto no resto da UE a taxa é de 13,1%.

Fim de impostos para os mais ricos é criticado pelos Coletes Amarelos

O presidente francês, Emmanuel Macron, já prometeu se esforçar para penalizar menos os cidadãos com os impostos. De acordo com documentos enviados à Bruxelas, ele tem a ambição de baixar as despesas públicas em quatro pontos do PIB até 2022.

Mas sua decisão de acabar com o ISF, o Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna, é uma das queixas dos manifestantes Coletes Amarelos. Em vigor na França desde os anos 1980, quando foi criada durante o governo socialista de François Mitterrand, a taxa suplementar era cobrada apenas de quem ganhava muito e que possuía um patrimônio bem acima de € 1,3 milhão.

Porém, o presidente Emmanuel Macron, que se elegeu dizendo que não era nem de direita, nem de esquerda, decidiu acabar com esse encargo, substituindo-o por um imposto calculado apenas em função do patrimônio imobiliário, o que isentou muita gente. Macron seguiu a tendência de vizinhos europeus, como Alemanha e Itália, ou ainda Dinamarca, Suécia, Irlanda e Áustria, que aboliram esse tipo de tributação, em meados dos anos 1990.

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