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Influenciados pelos "coletes amarelos", estudantes bloqueiam escolas na França

03/12/2018 14h21

A mobilização das associações de alunos do ensino médio contra as reformas na Educação tinha, até agora, sido fraca, sem fôlego. Mas, embalado pela contestação dos "coletes amarelos", o movimento ganhou força nesta segunda-feira (3), com bloqueios, às vezes marcados por incidentes, em dezenas de colégios na França.

A mobilização das associações de alunos do ensino médio contra as reformas na Educação tinha, até agora, sido fraca, sem fôlego.

O Ministério da Educação contou nesta segunda-feira de manhã mais de uma centena de escolas secundárias completa ou parcialmente bloqueadas em toda a França. Entre as academias mais afetadas estão Toulouse (cerca de 40 instituições), Versalhes e Créteil (cerca de 20 em cada uma dessas duas cidades da região parisiense).

Em Créteil, um carro foi incendiado, enquanto uma loja foi saqueada perto de uma escola em Aubervilliers, onde confrontos envolveram dezenas de jovens que gritavam "fora Macron".

Cerca de 200 jovens foram às ruas, vários deles vestindo coletes amarelos, disse uma fonte policial. Sete pessoas foram presas.

Incidentes como lançamentos de projéteis na polícia, incêndios de lixeiras etc. também eclodiram nas cidades de Bordeaux, Toulouse, Pau, Limoges, Dijon ou Lyon. As interpelações também ocorreram.

Em Paris, a reitoria relatou cerca de dez tentativas de bloqueio, mas a maioria foi levantada rapidamente. Nenhuma instituição está completamente bloqueada e não houve incidentes envolvendo estudantes na capital francesa.

Contra as reformas do ensino médio e do “vestibular”

As palavras de ordem das associações de estudantes que apelam para os bloqueios evocam as reformas do ensino médio e do exame de conclusão que dá acesso ao ensino superior, assim como o critério de seleção dos alunos por instituição.

Os estudantes dizem que as reformas do exame e do ensino médio, que estão sendo instaladas, fortalecerão a desigualdade social. Eles também lutam contra o método de seleção para entrar da universidade.

Outro desacordo com os anúncios do governo foi a criação do Serviço Nacional Universal (SNU), que será testado em algumas centenas de jovens voluntários em junho de 2019, antes de sua implementação para todos os jovens desta geração até 2026. Este programa prevê que todo estudante faça um mês de serviço cívico obrigatório por volta dos 16 anos.

"Revolta geral"

3Queremos uma revolta geral", disse Nabil Hedar, porta-voz do SGL, um sindicato de estudantes, chamando por "um movimento intergeracional, com os ‘coletes amarelos’". Ele pede "impostos mais justos" e "uma dissolução da Assembleia Nacional", juntando assim algumas reivindicações dos "coletes amarelos".

Louis Boyard, presidente da UNL, outro sindicato de estudantes do ensino médio, disse que se mobiliza contra as reformas de Macron.

"Não há razão para que a contestação dos ‘coletes amarelos’ provoque impacto no ensino médio", cuja reforma foi projetada "em consulta com muitos atores e milhares de estudantes", respondeu o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer.

A porcentagem de escolas secundárias bloqueadas é "muito baixa" em comparação com o total de 4.000 estabelecimentos em todo o território francês, e os bloqueios são feitos por "uma minoria", disse o ministro. Segundo ele, "muitas pessoas estão tentando entrar na brecha dos protestos dos ‘coletes amarelos’, por tudo e qualquer coisa”.

Em Nice, metade das escolas foram bloqueadas no início da manhã, segundo a reitoria, antes que cerca de mil jovens, alguns com coletes amarelos, se manifestassem nas avenidas do centro da cidade.

"É pelas salas de aula superlotadas, mas também apoiamos os ‘coletes amarelos’. Em um ano ou dois, a gente também vai ter que pagar pelo combustível. Nós estudamos para ganhar nada", disse um estudante do ensino médio de 17 anos.

(Com informações da AFP)