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Modelo de gestão criado pelo homem mais rico do Brasil estaria com os dias contados?

25/02/2019 14h01

A imprensa francesa dá grande destaque nesta segunda-feira (25)  à crise no grupo alimentar americano Kraft-Heinz, atribuída à estratégia ultrapassada do fundo de investimentos 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil e uma das 30 maiores fortunas do mundo, e seus sócios Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

A imprensa francesa dá grande destaque nesta segunda-feira (25) à crise no grupo alimentar americano Kraft-Heinz, atribuída à estratégia ultrapassada do fundo de ...

As ações do grupo perderam 27% na Bolsa de Valores de Nova York na sexta-feira (22), sancionadas pelos resultados decepcionantes no ano passado – perdas de US$ 10,2 bilhões para uma receita praticamente estável de US$ 26,2 bilhões. Além disso, houve a revelação de que o grupo está sob investigação da agência de regulação dos mercados nos Estados Unidos (Securities and Exchange Comission) por suas práticas contábeis.

Segundo o diário econômico de referência na França, o jornal Les Echos, o modelo de gestão "radical" do fundo 3G, conhecido como "orçamento base zero”, que supõe, todo ano, uma revisão contínua dos custos, da estrutura e dos sistemas da empresa e de suas filiais chegou ao esgotamento.

Analistas franceses dizem que o 3G foi longe demais no corte de despesas que são consideradas essenciais na atualidade, num mercado altamente competitivo e de escala global. Os investimentos em marketing e também em pesquisa e desenvolvimento foram sacrificados. Outra crítica é que o grupo não soube se adaptar à demanda por alimentos mais saudáveis. Durante um período, a companhia aumentou suas margens, mas esse período dourado teria chegado ao limite.

Com a compra da Unilever, o fundo 3G compôs reservas de US$ 10 bilhões. Les Echos diz que essa quantia poderia ser reinvestida na Kraft-Heinz para superar essa fase delicada. Mas a guinada teria de ser muito rápida e depende de outro fator, o posicionamento do mega investidor Warren Buffet, sócio dos brasileiros nos dois negócios. Talvez ele não esteja disposto a "sangrar" a Unilever, escreve Les Echos.

O diário francês afirma que o modelo 3G influenciou a indústria em todo o mundo: "passou como um furacão, mas está desaparecendo por falta de visão de futuro e uma gestão exclusivamente financeira".

O modelo de gestão de Lemann, que fez receita, teria chegado ao fim, questiona a reportagem. "Calma", diz um analista não identificado. "Eles são muito espertos."