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Trump encerra cúpula no Vietnã sem acordo com Kim Jong-un e diz que "não tem pressa"

28/02/2019 06h46

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (28) em Hanói que tem tempo para obter um acordo sobre o programa nuclear norte-coreano no fim do segundo e último dia de discussões com o líder Kim Jong-un, que terminou de maneira abrupta na falta de um acordo.

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (28) em Hanói que tem tempo para obter um acordo sobre o programa nuclear norte-coreano no fim do segundo e último dia de discussões com o líder Kim Jong-un, que terminou de maneira abrupta na falta de um acordo.

"A rapidez para mim não é importante", disse o presidente americano. O que é mais importante, continuou Trump, é "conseguir um bom acordo sobre o desmantelamento do arsenal nuclear do norte, assegurando que o resultado será visível a longo prazo". A reunião foi qualificada de “construtiva” pela Casa Branca. Trump disse que Kim Jong-un declarou que não testaria novos mísseis, foguetes ou outras armas nucleares, mas também sugeriu a retirada de todas as sanções contra o país.

"Assinar um acordo não era a boa opção. Às vezes deixar a mesa de negociações é uma boa alternativa. A Coreia do Norte pediu a retirada total das sanções, em troca da desnuclearização de áreas que nos interessam. Não podemos aceitar isso", disse Trump. "Vamos continuar trabalhando juntos, promovendo novas reuniões, mas tivemos que recusar essa opção", acrescentou, durante uma coletiva em Hanói depois do encontro. O presidente americano embarcou em seguida para Washington.

Segundo a Casa Branca, depois de seu primeiro encontro com o líder norte-coreano no luxuoso hotel Sofitel Legend Metropole, no centro de Hanói, os diálogos vão continuar com conselheiros. A primeira cúpula bilateral em Singapura, que aconteceu há oito meses, terminou com uma vaga declaração sobre a "desnuclearização da península norte-coreana", mas sem compromissos concretos.

A Coreia do Norte é alvo de várias sanções em razão de seu programa nuclear, motivo de um pico de tensões em 2017, antes de se conseguir uma distensão. Inicialmente, estava prevista para o fim do encontro uma "cerimônia de assinatura de um acordo conjunto" e um almoço de trabalho entre o líder norte-coreano e Donald Trump, antes de seu retorno a Washington.

“Meu amigo Kim”

Conseguir avanços diplomáticos com a Coreia do Norte seria importante para Trump neste momento para desviar a atenção do que ocorre em Washington, onde seu ex-advogado, Michael Cohen, deu um depoimento explosivo no Congresso.

Mas, desde o início, apesar do otimismo dos dois líderes, eles se mostraram evasivos em relação aos possíveis anúncios que poderiam surgir na cúpula. Na noite de quarta-feira, eles se reuniram em um jantar e, horas antes da reunião, previu um futuro “maravilhoso” para a Coreia do Norte se seu líder concordasse em desistir de seu arsenal nuclear.

O presidente também se referiu ao líder norte-coreano como "meu amigo", o que destoa da época em que os dois trocavam insultos pessoais e ameaças de destruição no auge das tensões sobre os programas de armas norte-coreano. "O Vietnã progride como poucos lugares no mundo. A Coreia do Norte faria o mesmo - e muito rapidamente - se decidisse se desfazer de seu arsenal nuclear", escreveu Trump no Twitter.

Criticado pela falta de resultados tangíveis, Trump sugeriu que "os democratas deveriam parar de falar sobre o que eu deveria fazer com a Coreia do Norte e ao contrário perguntar porque não o fizeram durante os oito anos do governo Obama", declarou.

Trump diminuiu as expectativas americanas para a cúpula e afirmou que ficaria satisfeito se Pyongyang interrompesse seus testes nucleares e com mísseis. Os Estados Unidos também poderiam aceitar gestos simbólicos, como a abertura de um escritório de contato ou uma declaração para encerrar oficialmente a Guerra da Coreia, que terminou em 1953 com um simples armistício.

A Coreia do Norte pede o fim das sanções internacionais, que ela considera ameaças americanas: sua presença militar na Coreia do Sul e na região em geral. Os adversários de Trump temem que o presidente americano esteja disposto a fazer concessões demais, inclusive às custas dos aliados sul-coreano e japonês, para reivindicar a vitória e desviar a atenção do que ocorre em seu país.