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Cineasta belga-marroquino que acusou repórter brasileira de querer arruinar Bolsonaro se justifica em novo artigo no Mediapart

12/03/2019 15h06

Em coluna publicada nesta terça-feira (12) em seu blog no site de informações Mediapart, o cineasta e jornalista belga-marroquino Jawad Rhalib se justifica sobre a polêmica envolvendo a jornalista brasileira Constança Rezende, do Estado de S. Paulo. Em texto anterior, datado de 6 de março, Rhalib questiona a ética jornalística publicando uma entrevista com a repórter que, segundo ele, teria a motivação de arruinar o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e provocar sua destituição.

Em coluna publicada nesta terça-feira (12) em seu blog no site de informações Mediapart, o cineasta e jornalista belga-marroquino Jawad Rhalib se justifica sobre a polêmica ...

"Sejamos claros" é o título da coluna publicada nesta terça-feira por Rhalib em seu blog no Mediapart. No texto, o cineasta explica que não conhece Constança Rezende pessoalmente, "mas sua fúria contra o presidente brasileiro e seu governo, do qual não sou fã, diga-se de passagem, nos intrigou, chamou nossa atenção... O que fez dela um "caso" perfeito para ser estudado de perto", salienta.

A polêmica inflamou as redes sociais no Brasil nos últimos dias e chegou a ser assunto de um post de Bolsonaro no Twitter, que publicou: "Constança Rezende, do 'O Estado de SP' diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro".

Coluna polêmica

As reações contra e a favor foram registradas após uma primeira coluna de Rhalib, intitulada de "Aonde vai a imprensa?", na qual o cineasta afirma que, intrigado pela forma como a imprensa brasileira denuncia irregularidades relacionadas ao presidente brasileiro, resolveu verificar os fatos por conta própria. Assim, encarregou "uma de suas fontes" de trabalhar sobre o assunto e realizar junto a ele uma investigação sobre a atuação dos jornalistas no Brasil diante de seu novo líder. No texto, Rhalib explica que o estudante a quem conferiu a missão não é leigo sobre a questão e já pesquisa sobre o tema para seu trabalho final em "uma famosa universidade britânica".

A entrevista com Constança Rezende é apresentada por Rhalib em formato de texto e áudio no mesmo post de 6 de março. Editados e distorcidos, os áudios também foram publicados em um blog partidário de Bolsonaro e no Twitter do presidente.

No material original, Constança Rezende explica, em um inglês truncado e hesitante, que está trabalhando em uma reportagem sobre um caso que pode comprometer Bolsonaro. Jamais indica - como é acusada por Rhalib - que tem intenção de arruinar Bolsonaro ou provocar seu impeachment.

"Nesses dois últimos dias, dediquei tempo lendo as reações de uns e outros. Várias falsas informações sobre a questão, muitas fantasias", avalia Rhalib na coluna publicada nesta terça-feira.

O cineasta também reclama que algumas mídias brasileiras o acusam de publicar mentiras. "Em minha opinião, eu só informei o público. Sou tão livre quanto Constança Rezende publicando minha investigação baseada em fatos reais e verificados, assim como as provas materiais, como as gravações de som", escreve. 

Rhalib não cita, no entanto, as informações publicadas em seu post e desmentidas pela imprensa brasileira. Segundo o cineasta, Constança Rezende "foi a primeira jornalista a ter publicado artigos sobre Flavio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro", o que o jornal O Estado de S. Paulo afirma ser falso.

Mediapart defende jornalista do Estadão

Com a forte repercussão do caso, a Mediapart também reagiu, no Twitter. Em um post publicado na segunda-feira (11) em português, o site de notícias diz que se solidariza com a jornalista, que está sendo ameaçada. Segundo a plataforma, as informações publicadas por Rhalib, que serviram de base para o tweet Bolsonaro, são falsas. "O artigo é de responsabilidade do autor e o blog é independente da redação do jornal", sublinha.

Na coluna desta terça-feira, Rhalib também expressa seu desacordo com a reação de Mediapart. "Convido-os a se informarem, a cruzar as informações, como eles têm o hábito de fazer, antes de emitir um tal julgamento, de duvidar da nossa investigação e nossa integridade", salienta. "Não é porque o artigo é, neste caso, a favor de Bolsonaro, que eles têm o direito de se erguerem em defesa de uma jornalista questionada", reitera.

No primeiro texto escrito pelo cineasta, o Mediapart também publicou um aviso: "Este texto faz parte do blog de Jawad Rhalib. Seu conteúdo não engaja a redação de Mediapart".

Jawad Rhalib e o diretor da plataforma, Edwy Plenel, foram contatados pela RFI, mas não responderam ao pedido de entrevista.