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EUA não admitem depender da China no litígio com a Huawei, diz analista

16/05/2019 15h39

A China advertiu nesta quinta-feira (16) os Estados Unidos contra "prejuízos" às futuras relações comerciais com os Estados Unidos depois que o presidente americano, Donald Trump, barrou o gigante de telecomunicações chinês Huawei do mercado norte-americano, aumentando as tensões entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

A China advertiu nesta quinta-feira (16) os Estados Unidos contra "prejuízos" às futuras relações comerciais com os Estados Unidos depois que o presidente americano, Donald Trump, barrou o gigante de telecomunicações chinês Huawei do mercado norte-americano, aumentando as tensões entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

A disputa em torno da Huawei aumenta as incertezas sobre as negociações visando um acordo que poderia acabar com a feroz guerra comercial travada entre Washington e Pequim. Nos últimos dias, os dois lados aumentaram suas tarifas aduaneiras de importação.

O francês Jean-François Dufour, autor do livro "China Corp. 2025 - Nos bastidores do capitalismo à chinesa" (editora Máxima) e diretor de uma empresa de consultoria especializada no mercado chinês, não estranhou o decreto de Trump. Ele lembra que o conflito entre os Estados Unidos e a Huawei remonta há dez anos, portanto bem antes de Trump se instalar na Casa Branca. "Esse enfrentamento era previsível e chega agora ao ponto central da disputa entre os dois países", estima Dufour.

Segundo o especialista, o caso Huawei é particular por dois aspectos. Existe a ameaça à segurança nacional evocada no decreto, uma vez que os americanos temem que os equipamentos da Huawei sirvam de meio de espionagem para o governo chinês, mas isso não é novo. Por outro lado, a disputa mudou de perspectiva atualmente.

"O que os Estados Unidos tentam impedir é que a Huawei tome a dianteira tecnológica em setores sensíveis. Seria uma situação inédita, se uma empresa chinesa colocasse uma companhia americana em situação de dependência dessas tecnologias", explicou Dufour em entrevista à RFI.

Segundo o analista, o problema hoje não são os aparelhos de telefone fabricados pela Huawei, e sim as infraestruturas de comunicação visadas pelo decreto, que de fato representam um risco real de mudança de posição hierárquica nas relações sino-americanas. Essa competição tecnológica está no centro do conflito.

O Ministério do Comércio chinês declarou não dispor de informações sobre o envio de uma delegação americana a Pequim, para continuar as negociações suspensas na semana passada, conforme foi cogitado durante a visita do vice-primeiro-ministro Liu He a Washington. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse que provavelmente visitará a China em um futuro próximo, mas a data permanece vaga.

"As táticas de pressão máxima e intimidação fizeram com que as negociações econômicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos sofressem um sério revés", disse o porta-voz do ministério do Comércio chinês, Gao Feng, em uma coletiva de imprensa semanal.

China prende canadenses em novo desdobramento

Ao mesmo tempo, as relações diplomáticas de Pequim com o Canadá ainda azedaram nesta quinta-feira, depois de a China prender dois canadenses por suspeita de coletar, roubar e transmitir segredos de Estado chineses ao exterior, em um caso visto como uma retaliação à prisão de uma executiva da Huawei.

Os canadenses Michael Kovrig, ex-diplomata em Pequim, e o consultor e empresário Michael Spavor, especialista na Coreia do Norte, tinham sido detidos no ano passado, dias depois de o Canadá deter, a pedido de Washington, a diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, agora visada por um pedido de extradição dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, chamou de "inaceitável" a prisão dos dois cidadãos de seu país e disse que fará tudo para defendê-los. Trudeau reagiu à medida chinesa durante uma visita a Paris, nesta quinta-feira, e logo após se reunir com o presidente Emmanuel Macron.

Macron diz que UE não vai barrar Huawei

Macron disse que não pretende proibir a entrada de equipamentos da Huawei. "A França e a Europa são pragmáticas, realistas: nós queremos desenvolver empregos, atividade, inovação e nós acreditamos na cooperação e no multilateralismo", disse o presidente durante discurso no salão de tecnologia Vivatech, organizado em Paris.

"Ao mesmo tempo, para a 5G e outros tipos de inovação, estamos extremamente atentos no que diz respeito ao acesso a tecnologias essenciais para preservar nossa segurança nacional", acrescentou. "Mas penso que iniciar uma guerra comercial ou tecnológica contra um outro país não é judicioso", concluiu o líder francês.

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