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Mega manifestação marca aniversário de dois anos de exílio dos rohingyas em Bangladesh

25/08/2019 14h39

Cerca de 200 mil rohingyas se manifestaram neste domingo (25) em um campo de refugiados de Bangladesh. O ato marcou o aniversário do segundo ano do exílio dos integrantes desta etnia muçulmana de Mianmar. Para eles, este é o "Dia do Genocídio".

Cerca de 200 mil rohingyas se manifestaram neste domingo (25) em um campo de refugiados de Bangladesh. O ato marcou o aniversário do segundo ano do exílio dos integrantes desta etnia muçulmana de Mianmar. Para eles, este é o "Dia do Genocídio".

Cerca de 740.000 rohingyas fugiram do estado de Rakain (oeste de Mianmar) em agosto de 2017, após uma operação de repressão por parte do exército deste país de maioria budista. No total, cerca de um milhão de pessoas estão atualmente distribuídas em 30 campos de refugiados do distrito fronteiriço de Cox's Bazar, no sudeste de Bangladesh.

Sob o sol forte, crianças, mulheres com véus e homens vestidos com panos coloridos marcharam neste domingo aos gritos de "Deus é grande, longa vida aos rohingyas". Os participantes da manifestação cantaram uma música já popular cuja letra evidencia a falta de esperança de seu povo: "O mundo não presta atenção à desgraça dos rohingyas".

"Vim para exigir justiça pela morte dos meus dois filhos. Continuarei lutando até meu último suspiro", declarou à AFP Tayaba Khatun, de 50 anos.

"Queremos voltar"

Os rohingyas não são reconhecidos oficialmente como minoria pelo governo de Mianmar (ex-Birmânia), que os considera bengalis. O governo birmanês lhes nega a nacionalidade, apesar de muitas famílias viverem em Rakain há gerações.

A ONU denunciou um "genocídio" da etnia, pedindo que os generais birmaneses sejam julgados. Mianmar nega estas acusações, afirmando que apenas se defendeu dos ataques de rebeldes rohingyas contra postos policiais.

Um líder comunitário, Mohib Ullah, declarou neste domingo que os refugiados desejam voltar a Mianmar, mas com três condições: ter garantias sobre sua segurança, obter a nacionalidade birmanesa e poder voltar a suas localidades de origem.

Segundo Ullah, houve tentativas de diálogo com o governo birmanês, mas até agora não obtiveram resposta. "Fomos espancados, assassinados, estuprados em Rakain. Mas não importa, continua sendo nosso lar. E queremos voltar", disse ele.

Os refugiados organizaram hoje orações em homenagem às vítimas. Alguns balançavam bandeiras birmanesas reivindicando a nacionalidade.

Repatriação perigosa e inviável

No sábado (24), a polícia de Bangladesh declarou que tinha abatido dois rohingyas suspeitos de matar um responsável do partido no poder. A segurança havia sido reforçada em Kutupalong, o maior campo de refugiados do mundo, onde vivem atualmente mais de 600.000 rohingyas.

"Centenas de policiais, soldados e agentes da guarda fronteiriça foram mobilizados para impedir qualquer incidente violento", indicou à AFP um responsável policial local, Abul Monsur.

Bangladesh e Mianmar assinaram um acordo de repatriação de refugiados em 2017, mas duas tentativas, em novembro passado e nesta semana, fracassaram porque eles se negam a partir. A Anistia Internacional afirmou que a violência atual no estado de Rakain "torna perigosa e inviável qualquer repatriação imediata".

(Com informações da AFP)

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