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Macron causa polêmica em Bruxelas ao barrar entrada de países na UE

18/10/2019 12h38

Após o Brexit, os 27 estados membros da União Europeia são confrontados agora a um novo quebra-cabeça: o alargamento da União Europeia com a possível entrada da Macedônia do Norte e da Albânia. O presidente francês Emmanuel Macron se opôs nesta sexta-feira (18) à entrada dos dois países, sob o fogo de seus colegas europeus.

Após o Brexit, os 27 estados membros da União Europeia são confrontados agora a um novo quebra-cabeça: o alargamento da União Europeia com a possível entrada da Macedônia do Norte e da Albânia. O presidente francês Emmanuel Macron se opôs nesta sexta-feira (18) à entrada dos dois países, sob o fogo de seus colegas europeus.

"França, Holanda e Dinamarca têm reservas [à entrada dos dois países na UE] e esse é um motivo de decepção", declarou a chanceler alemã Angela Merkel. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, foi mais severo ao denunciar "um grave erro histórico". "Para ter credibilidade, a União Europeia deve respeitar seus compromissos", afirmou, criticando a posição de Macron.

"Fizemos promessas a esses países", acrescentou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, enfatizando que "a esmagadora maioria dos estados membros da UE era a favor de iniciar negociações com os dois candidatos", iniciativa que exige uma unanimidade por parte do bloco europeu.

O chefe de Estado francês justificou sua oposição pela necessidade de reformar o funcionamento da União Europeia antes de se abrir para novos membros. "Antes de qualquer alargamento, precisamos saber como reformar", disse Macron em entrevista coletiva. "Todos os progressos exigidos [para os dois candidatos, como condição para entrar na UE] ainda não foram apresentados", disse ele.

Para o presidente francês, também é prioritário reformar o processo de alargamento do bloco, que "não é mais adequado", "burocrático demais" e "não dialoga mais com o povo".

"Duo Macron-Rutte"

As discussões duraram até altas horas da noite, de quinta (17) a sexta-feira (18), e várias soluções de compromisso foram rejeitadas, segundo os participantes. "Vimos uma dupla bem estabelecida entre Macron e Rutte, o primeiro-ministro holandês", disse um deles. "O que serviu a um, também serviu o outro", completou.

Uma das propostas rejeitadas foi dissociar as duas candidaturas para abrir negociações com o norte da Macedônia. Vários diplomatas disseram que o bloqueio francês aconteceu devido a razões políticas internas, relacionadas a questões de imigração, com o medo de um influxo de refugiados em caso de maior abertura de fronteiras, lamentaram vários diplomatas.

Embora afirmando que não era esse o caso, Macron chegou a questionar durante a coletiva: "Como você quer que eu explique aos meus concidadãos que o segundo país que mais solicita asilo (político) na França é a Albânia?". Em Tirana, capital do país, o jornal Tema estimou que o interesse do presidente francês era "ganhar popularidade por ser o presidente que não permitiu o alargamento das fronteiras e fez dos albaneses o símbolo dos migrantes contra a xenofobia de Marine Le Pen, a chefe da extrema direita francesa".

Os críticos do atual processo de alargamento também temem que os problemas de corrupção e independência do judiciário, enfrentados pela Romênia e pela Bulgária, que aderiram em 2007, sejam repetidos no caso da Albânia e da Macedônia do Norte. Os defensores desses países, no entanto, argumentam que a rejeição de novos membros poderia empurrá-los para os braços da Turquia, China e Rússia, países que já são muito ativos nos Balcãs.

(Com informações da AFP)

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