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COP 25: Brasil "vence" prêmio Fóssil do Ano por retrocessos ambientais

13/12/2019 16h07

O Brasil "venceu" nesta sexta-feira (12), último dia da COP 25, o prêmio Fóssil do Ano. A "distinção" é oferecida por organizações ambientais aos países que menos contribuíram para um acordo na Conferência do Clima das Nações Unidas. 

O Brasil "venceu" nesta sexta-feira (12), último dia da COP 25, o prêmio Fóssil do Ano. A "distinção" é oferecida por organizações ambientais aos países que menos contribuíram para um acordo na Conferência do Clima das Nações Unidas. 

Desde o primeiro dia do evento, em Madri, o governo brasileiro enfrenta pressões não apenas das ONGs, como de outros países que criticam a falta de ambição do Brasil em avançar no combate às mudanças climáticas, por meio de um acordo internacional sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa. Desta vez, a posição do Brasil se confrontou até mesmo a dos países em desenvolvimento, que costumavam ser aliados na plenária da ONU. 

Esta é a primeira vez que o país recebe a "distinção" das ONGs, que costumava ser dada aos Estados Unidos ou o Canadá, pelo fraco comprometimento em diminuir as suas emissões, embora sejam grandes poluidores. O Brasil ocupa a sétima posição na lista, ao despejar na atmosfera cerca de 3% dos gases como CO2. 

O "prêmio" das ONGs é revelado todos os dias da conferência, de acordo com o andamento das negociações. Nesta COP, Brasília já havia vencido dois Fósseis do Dia - o que também já era inédito.

Ameaça ao Acordo de Paris

Como de costume, o nome do país vencedor foi vaiado pelos presentes ao ser revelado o Fóssil do Ano. Uma cerimônia irônica, mas repleta de mensagens sérias, foi realizada no pavilhão destinado às organizações da sociedade civil na Conferência do Clima.

"O Brasil se tornou um pária ambiental, aos 11 meses do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro", declarou o representante da organização Climate Action Network, que organiza a premiação. "O Brasil se juntou aos Estados Unidos como um dos que mais ameaçam o Acordo de Paris."

"As motosserras de Bolsonaro mataram políticas ambientais que permitiram ao Brasil conseguir espetaculares cortes de emissões na última década, que resultaram no maior desmatamento da Amazônia da década ", complementou o ambientalista, ressaltando  que, apenas nesta semana, mais três indígenas foram mortos ao defender a floresta no país. 

A premiação também destacou que, durante a COP, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tenta "ganhar recursos para aumentar o desmatamento". Trata-se a uma referência às pressões realizadas por Salles para que os países ricos oficializem o financiamento prometido para os países pobres combaterem as mudanças climáticas - entretanto, sem que o país esclareça como vai melhorar a proteção das florestas. 

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