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"1917" vence Globo de Ouro, que é marcado por zebras e desconforto

06/01/2020 06h27

"1917", um filme de guerra que ainda nem chegou aos cinemas foi a grande surpresa da 77ª edição do Globo de Ouro. O filme do cineasta Sam Mendes ganhou dois dos principais prêmios: melhor filme drama e melhor direção.

"1917", um filme de guerra que ainda nem chegou aos cinemas foi a grande surpresa da 77ª edição do Globo de Ouro. O filme do cineasta Sam Mendes ganhou dois dos principais prêmios: melhor filme drama e melhor direção.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

"1917" desbancou os favoritos "O irlandês" e "Coringa" e também todos os grandes nomes de diretores que concorriam, entre eles Quentin Tarantino e Martin Scorsese. O filme conta a história de dois soldados que, durante a Primeira Guerra Mundial, precisam atravessar territórios inimigos para entregar uma mensagem com o potencial de salvar milhares de vidas.

Já "Era uma Vez em... Hollywood" foi o filme mais premiado da noite, com três estatuetas: melhor comédia ou musical, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante para Brad Pitt. Mas muitos favoritos saíram de mãos vazias. "O irlandês", de Scorsese, que tinha cinco indicações, não ganhou nada, assim como "Dois Papas", do brasileiro Fernando Meirelles, com quatro indicações e nenhum prêmio. "História de um casamento", com seis indicações, levou apenas o Globo de Ouro de atriz coadjuvante para Laura Dern.

"Link Perdido" foi outra grande surpresa da noite. O filme foi o vencedor da categoria de melhor animação, superando os gigantes da Pixar e Disney, "Toy Story 4", "O Rei Leão" e "Frozen 2".

Melhor filme estrangeiro foi para o grande favorito "Parasita" que tem levado prêmios ao redor do mundo. O diretor coreano Bong Joon-ho foi incisivo com uma mensagem aos americanos: "Assim que vocês romperem a barreira da legenda, serão apresentados a muitos filmes incríveis".

As categorias de televisão também tiveram azarões: Ramy Yousef, criador e astro de Ramy, venceu o prêmio de melhor ator em série de comédia, e Russell Crowe levou o prêmio de melhor ator em minissérie por "The Loudest Voice". Crowe não compareceu na cerimônia em Los Angeles mas mandou um recado, que foi lido pela atriz Jennifer Aniston. "Não se enganem. A tragédia que está acontecendo na Austrália é baseada nas mudanças climáticas", afirmou Crowe na mensagem. As séries "Sucession", "Fleabag" e "Chernobyl" empataram com dois prêmios cada uma.

Climão

Conhecido por causar desconforto na plateia, o comediante britânico Ricky Gervais apresentou pela sexta vez o Globo de Ouro e trouxe suas piadas ácidas, de gosto duvidoso, e causou desconforto já nos primeiros minutos da premiação. Gervais fez críticas à classe artística, pediu que os premiados não fizessem discursos políticos, já que muitos trabalham para empresas de índole duvidosa.

"Se o Estado Islâmico lançasse um serviço de streaming, vocês iriam ligar para os agentes de vocês na hora, vocês não sabem nada sobre o mundo real. A maioria de vocês passou menos tempo na escola do que a Greta Thunberg. Se você ganhar uma estatueta, suba ao palco, agradeça ao seu agente, agradeça ao seu Deus e dê o fora", disse Gervais provocando total desconforto na plateia.

Foram poucos os que 'desobedeceram' o apresentador. Patricia Arquette (Melhor atriz coadjuvante em série - The Act) e Michelle Williams (Melhor Atriz em série limitada - Fosse/Verdon") foram as donas da noite com discursos poderosos e emocionados. Williams falou sobre os direitos das mulheres chamando a atenção para a importância do voto feminino nas eleições presidenciais de 2020. "Mulheres, de 18 a 118 anos, quando chegar a hora de votar, vote pelo seu próprio interesse", disse ela.

Arquette também alertou para a importância do voto e criticou os tweets de Donald Trump ameaçando bombardear 52 pontos estratégicos iranianos. A noite também foi de homenagens às carreiras de Ellen DeGeneres e Tom Hanks.