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Conselho de ministros aprova reforma da Previdência e greve ganha novo fôlego na França

24/01/2020 13h14

Os opositores da reforma da Previdência foram novamente às ruas da França nesta sexta-feira (24), após a adoção do projeto pelo Conselho de Ministros, e decidiram convocar uma nova jornada de mobilização para o dia 29 de janeiro.

Os opositores da reforma da Previdência foram novamente às ruas da França nesta sexta-feira (24), após a adoção do projeto pelo Conselho de Ministros, e decidiram convocar uma nova jornada de mobilização para o dia 29 de janeiro.

Emmanuel Macron denunciou "os atos de violência e o radicalismo de certos bloqueios", pedindo "maior firmeza em relação a seus autores", disse Sibeth Ndiaye, porta-voz do governo, durante a reunião de ministros.

"Podemos denunciar a violência de alguns de seus comentários", argumentou o secretário-geral da CGT Philippe Martinez, para quem os protestos não são um "combate perdido". A mobilização, iniciada em 5 de dezembro, entra hoje em seu 51º dia.

"Esse movimento continua massivo, temos taxas de grevistas significativas, é de longo prazo e não é feito de algumas pessoas marginais", disse Benoît Teste, secretário geral do FSU, sindicato majoritário na Educação, durante a manifestação parisiense. O protesto reuniu entre 350 e 400.000 pessoas, de acordo com a CGT, incluindo muitos professores.

"A democracia social e política não foi exercida. Espero que, nos próximos meses, durante o debate parlamentar e as emendas, a democracia recupere um pouco seus direitos", insistiu o presidente do CFE- CGC, François Hommeril.

Advogados protestam

"Aposentado por pontos, aposentado sem nada", "Sem professores, a vida não tem classe" e "Brilho nas nossas pensões", diziam os cartazes parisienses, com rimas e jogos de palavras, no original em francês.

"É verdade que está começando a demorar muito tempo. Não é porque o transporte sai que o protesto está ficando sem fôlego. Não passarão", disse Cédric, um enfermeiro de 34 anos.

Um novo dia de greve foi decidido para 29 de janeiro, após uma reunião nesta sexta-feira (24). 

Na Normandia, a CGT, um dos principais sindicatos franceses, evocou "uma maré vermelha" nas ruas de Le Havre. 

"O governo é pedante, não leva em consideração o que é dito. Já não aceita os conselhos dos sindicatos. Ele quer aprovar sua reforma a todo custo", lamenta Cécile Chamignon, uma funcionária pública de 40 anos, na manifestação de Lyon.

Cerca de 200 advogados do tribunal de Bordeaux reuniram-se nos degraus do tribunal, vestidos e todos usando máscaras brancas, simbolizando, segundo um deles, "a morte prometida a 30% dos advogados por causa da reforma da previdência".

O Conselho Nacional de Advogados (CNB), que se reuniu com o primeiro-ministro Édouard Philippe na quinta-feira (23), lamentou sexta-feira que "não houve novas propostas". A entidade decidirá no sábado a continuação do movimento de greve.

Para Carole, 40, professora de francês de Clermont-Ferrand, "quanto mais o governo fala, mais me revolta".

Torre Eiffel fechada

Na educação, a taxa de grevistas foi de 15,84% no ensino fundamental e de 10,30% no ensino médio (faculdades e escolas secundárias), segundo o ministério, mas de 40% para cada um segundo os sindicatos. As taxas são mais altas que aquelas da mobilização de 16 de janeiro.

Em Paris, a Torre Eiffel foi, mais uma vez, fechada.

No transporte, após um breve retorno ao normal nos últimos dias, o tráfego foi novamente interrompido. Na companhia ferroviária SNCF, a taxa de grevistas chegou a 13,9% nesta sexta-feira de manhã. A rede RATP, de ônibus, metrôs e trens de subúrbio, era menos fluida, com apenas três linhas de metrô operando normalmente em Paris.

Uma centena de jornalistas também declarou greve nesta sexta-feira.

"Situação explosiva"

O executivo mantém sua agenda. Adotados pelo Conselho de Ministros, dois projetos de lei com o objetivo de criar um "sistema universal" de pensão por pontos serão transmitidos à Assembleia Nacional para um debate em sessão pública, em 17 de fevereiro, para uma primeira votação no início de março.

Ao mesmo tempo, continuam as discussões entre governo, sindicatos e empregadores sobre pontos-chave da reforma, como insalubridade, pensão mínima, fim de carreira e emprego de idosos.

Tantos assuntos que tornam o custo final da reforma incerto, incluindo "o equilíbrio até 2027", foram encaminhados para uma "conferência de financiadores", que será lançada em 30 de janeiro e deve propor uma solução antes do final de abril. A CGT e a FO ainda não indicaram se participarão.

"Se não houver progresso, permaneceremos nessa situação extremamente explosiva", reconheceu sexta-feira o líder da central sindical CFDT, Laurent Berger.

(Com informações da AFP)
 

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