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Amigo de Macron desiste de disputar prefeitura de Paris após vídeo íntimo

14.fev.2020 - Benjamin Griveaux anuncia sua saída da disputa pela prefeitura de Paris após o vazamento de um vídeo íntimo - Lionel Bonaventure/AFP
14.fev.2020 - Benjamin Griveaux anuncia sua saída da disputa pela prefeitura de Paris após o vazamento de um vídeo íntimo Imagem: Lionel Bonaventure/AFP

16/02/2020 09h35

O escândalo que abala as eleições municipais de março na França e levanta suspeitas sobre ingerência externa na campanha eleitoral tem novos desdobramentos. O artista e ativista russo Piotr Pavlenski, 35 anos, e sua companheira de 29 anos, que não teve a identidade revelada, estão detidos desde sábado (14) na capital francesa. Ela teria sido a destinatária dos vídeos sexuais filmados em 2018 pelo ex-candidato Benjamin Griveaux, que renunciou à disputa pela prefeitura de Paris.

A companheira de Pavlenski, proveniente de Metz (leste), vive com o artista russo desde janeiro do ano passado. Ela seria a interlocutora com quem Griveaux trocou mensagens íntimas e enviou vídeos com cenas de masturbação. Ainda não está claro se a mulher forneceu as imagens a Pavlenski ou se elas foram hackeadas.

No sábado, o deputado Benjamin Griveaux, que concorria à prefeitura de Paris pelo partido A República em Marcha (LREM), fundado pelo presidente Emmanuel Macron, prestou queixa por "invasão de privacidade". A Procuradoria de Paris abriu uma investigação que levou à detenção de Pavlenski e sua companheira na saída de um hotel parisiense.

A mulher responde a interrogatório sob acusação de "invasão de privacidade e difusão de imagens de conteúdo sexual sem consentimento", segundo a Procuradoria de Paris. Já o artista e ativista russo foi indiciado por "violência em grupo" em um outro caso, ocorrido na noite do Reveillon. No final do ano passado, Pavlenski se envolveu numa briga num apartamento parisiense e teria usado uma faca de cozinha. Duas pessoas ficaram feridas no incidente.

Defesa não acredita que russo agiu sozinho

O advogado do deputado, Richard Malka, disse que a investigação aberta permitirá apurar "todas as infrações cometidas pelo autor da divulgação inicial das imagens e por todos aqueles que replicaram os vídeos nas redes sociais".

De acordo com o Código Penal francês, a infração por "invasão de privacidade" pode resultar em condenação a um ano de prisão e multa de 45.000 euros. Além disso, desde outubro de 2016, a divulgação específica de imagens sexuais capturadas em locais públicos ou privados é punida com dois anos de prisão e multa de 60.000 euros. Esse artigo foi incorporado à Lei Digital para lidar com o crescente fenômeno da chamada "vingança pornográfica", que se tornou frequente nas redes sociais após o fim de relacionamentos. Todas as pessoas que compartilharam os vídeos divulgados por Pavlenski nas redes sociais podem ser condenadas.

Pavlenski vive como asilado político na França há cerca de três anos. Em 2017, ele incendiou a fachada de uma agência do banco central francês na praça da Bastilha, em Paris, entre outras "performances" artísticas controvertidas. Na sexta-feira (13), ele admitiu ser o ator da divulgação do vídeo sexual de Griveaux na internet, no site Pornopolítica", criado por ele no ano passado.

O russo alegou que sua intenção foi denunciar a "hipocrisia" do ex-candidato. "Ele utilizou a família para se apresentar como um ícone para todos os pais e maridos de Paris, fazendo propaganda dos valores tradicionais", afirmou Pavlenski.

Mas o advogado do deputado considera essa justificativa "grotesca". "Nunca vi personalidade mais cínica", observou, referindo-se ao russo. "Estamos diante de uma impostura absoluta, com pseudoartistas que consideram estar numa ditadura e podem dar lição de moral", declarou Malka. O advogado do ex-candidato não acredita que o ativista russo tenha agido sozinho.

Da extrema-esquerda à extrema direita, todos os partidos políticos franceses condenaram a divulgação dos vídeos e se solidarizaram com Griveaux. A sigla LREM ainda não indicou um substituto para representar a maioria governamental nas municipais de Paris. O prazo para registro de candidaturas vai até o fim do mês.

Macron lança advertência sobre ingerência da Rússia

Ontem, em sua participação na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, sem se referir diretamente ao caso, o presidente Macron lançou um novo alerta contra a ingerência da Rússia em campanhas eleitorais.

"A Rússia continuará tentando desestabilizar as democracias ocidentais manipulando redes sociais e influenciando as eleições (...) via atores privados, agências ou intermediários", disse o líder francês. "Moscou continuará sendo um ator extremamente agressivo nesse assunto nos próximos meses e nos próximos anos. Em todas as eleições, a Rússia procurará ter estratégias desse tipo ou terá atores agindo em seu nome", acrescentou Macron.

O presidente francês destacou que essas manipulações não são prerrogativas exclusivas da Rússia. "Atores conservadores da ultradireita americana têm se intrometido nas eleições europeias", disse ele, referindo-se aos apoiadores do presidente Donald Trump. Sem citar nomes, Macron se referia, por exemplo, a Steve Banon, ex-estrategista de Trump e que prestou serviços para a líder de extrema direita francesa Marine Le Pen.

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