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Autor de ataque em Hanau deixou manifesto contra imigrantes antes do crime

REUTERS/Kai Pfaffenbach
Imagem: REUTERS/Kai Pfaffenbach

21/02/2020 08h34

Antes de morrer, Tobias R. deixou um vídeo onde confessou o crime, encontrado em sua casa pela polícia na quinta-feira (19), e uma carta de 24 páginas. No texto, o atirador proclama seu ódio contra os imigrantes e defende o extermínio de estrangeiros oriundos da África do Norte, do Oriente Médio e da Ásia Central, regiões onde a religião dominante é o Islã. A população dessas regiões, nas palavras do autor do atentado, seria incapaz de encarnar "a pureza e a superioridade" do povo alemão.

De acordo com Peter Neumann, especialista do King's College, ouvido pelo Le Figaro, Tobias R. tem traços de personalidade típicos de um terrorista. Nos documentos encontrados pela polícia, o atirador diz que era monitorado desde bebê pelo serviço secreto americano. Ele também afirma que Donald Trump "roubou" suas ideias com o slogan "America First" ou "Os americanos primeiro."

Em sua carta, Tobias R. também pede que 20 países, entre eles Israel e Turquia, sejam destruídos. O alemão vivia perto da cidade de Hanau, em Kesselstadt. Foi em seu apartamento que ele organizou o ataque, obtendo as armas na dark net, ou internet invisível. De acordo com a polícia, depois de cometer o crime, ele voltou para a sua casa, que ficava a somente 300 metros do bar a narguilé Arena. Esse estabelecimento foi o segundo alvo do atirador, que antes esteve em outro bar, conhecido como Midnight, frequentado principalmente por imigrantes turcos e ciganos.

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, esteve no bairro onde ocorreu o crime xenófobo nesta quinta-feira (20). No local, além de imigrantes turcos, também vivem curdos, palestinos e afegãos. O chefe de Estado expressou sua solidariedade às vítimas e aos homens "ameaçados pelo ódio racista." Ele frisou "que a grande maioria das pessoas na Alemanha condenava o ato."

Annegret Kramp-Karrenbauer, presidente da CDU, partido da chanceler Angela Merkel, estimou que a tragédia justificava a estratégia de seu partido cristão-democrata, que visa excluir os partidos de extrema direita de qualquer aliança com a maioria política, diminuindo sua representatividade.

Ameaça para a democracia

O Le Figaro lembra que a extrema direita é hoje considerada uma grande ameaça para a democracia alemã. A matança em Hanau, lembra o jornal, é o último episódio de uma sequência de eventos preocupante, marcada pelo assassinato, em 2019, de Walter Lübcke, líder regional do partido de Merkel e prefeito de Cassel, que defendia políticas de integração de imigrantes. O temor é que a extrema-direita no país se radicalize cada vez mais, aproveitando o contexto geopol?ítico e as referências do passado nazista.

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