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Mali organiza eleições legislativas apesar da pandemia de coronavírus

29/03/2020 13h03

As eleições legislativas do Mali, que já haviam sido adiadas duas vezes, foram organizadas neste domingo (29). Diante da pandemia de coronavírus, o pleito foi marcado pelo medo dos eleitores do país africano, que já registrou 18 casos Covid-19 e uma vítima fatal.  

As eleições legislativas do Mali, que já haviam sido adiadas duas vezes, foram organizadas neste domingo (29). Diante da pandemia de coronavírus, o pleito foi marcado pelo medo dos eleitores do país africano, que já registrou 18 casos Covid-19 e uma vítima fatal.  

Com informações de Coralie Pierret, correspondente da RFI em Bamako

Os eleitores chegaram timidamente nas zonas eleitorais, abertas a partir das 8h. O pleito acontece um dia após o país confirmar seu primeiro morto vítima do coronavírus (um homem de 71 anos que esteve recentemente na França para tratamento médico).

Na entrada das salas de votos, cartazes davam informações preventivas e uma torneira foi colocada à disposição de alguns, mesmo se muitos eleitores entravam sem lavar as mãos. No entanto, quase todos portavam uma máscara de proteção em tecido ou papel.

Já os mesários tiveram que levar suas próprias máscaras e luvas, já que as autoridades forneceram apenas um acessório para cada zona eleitoral. "É um absurdo. Nenhuma medida foi tomada", reclamava um eleitor após o voto.

O Mali deve eleger os 147 membros do Parlamento neste domingo, com um segundo turno previsto para 19 de abril. A grande questão é sobre os índices de participação. Muitos se perguntam se o pleito deveria ter sido mantido por razões de segurança sanitária.

"Não podemos dizer que registramos uma grande afluência até agora", admitiu o primeiro-ministro Boubou Cissé no final da manhã, esperando que "a taxa de participação seja suficientemente satisfatória". O chefe do governo também lembrou que "os eleitores devem pensar em respeitar os gestos de prevenção e usar o dispositivo sanitário".

Temor de crise política e sanitária

As eleições legislativas foram mantidas para evitar que uma crise política se adicione às dificuldades sanitárias e de segurança que o país já enfrenta. O Mali é palco de atos violentos diários, com uma rotina marcada por ataques jihadistas e confrontos intercomunitários.

O líder da oposição, Soumaïla Cissé, chegou a ser sequestrado alguns dias antes do pleito enquanto fazia campanha na região de Tombouctou, no norte do país. As zonas eleitorais dessa parte do Mali foram protegidas pelo exército neste domingo.

Especialistas afirmam que as eleições legislativas são importantes para a implementação no país do Acordo de Paz de Argel. O texto foi assinado em 2015 entre autoridades de Bamako e grupos armados independentistas, principalmente tuaregue, que participam de uma ofensiva armada desde 2012. No entanto, o compromisso não diz respeito à ação de grupos jihadistas, que também semeia o medo no Mali.

 

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