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Hospitais europeus alertam sobre escassez de remédios para tratar pacientes da Covid na UTI

01/04/2020 10h48

Num contexto de crise sanitária que lembra períodos de guerra, nove grandes hospitais europeus, de Paris, Barcelona, Milão, Londres e Berlim, enviaram uma carta conjunta a seus governos pedindo uma cooperação rápida e eficaz na distribuição de remédios usados em pacientes internados com o novo coronavírus. Os estabelecimentos fazem parte da Aliança Europeia de Hospitais Universitários.

Num contexto de crise sanitária que lembra períodos de guerra, nove grandes hospitais europeus, de Paris, Barcelona, Milão, Londres e Berlim, enviaram uma carta conjunta a seus governos pedindo uma cooperação rápida e eficaz na distribuição de remédios usados em pacientes internados com o novo coronavírus. Os estabelecimentos fazem parte da Aliança Europeia de Hospitais Universitários.

Na carta, médicos e diretores dos estabelecimentos dizem que, em breve, faltarão relaxantes musculares, sedativos e analgésicos para os doentes internados nas unidades de terapia intensiva. "Por falta de cooperação europeia para garantir a distribuição contínua de medicamentos cruciais para tratar de pacientes afetados pela Covid-19, os hospitais correm o risco de não dispor dos meios adequados para tratar os doentes que necessitam de cuidados intensivos dentro de uma ou duas semanas", explicam os signatários. Eles apontam uma distribuição "insuficiente" dos medicamentos ou simplesmente  "inexistente", em determinadas unidades.

A pandemia do coronavírus já causou 30.000 mortes na Europa. A Espanha registrou um novo recorde diário de óbitos por coronavírus com 864 falecimentos nas últimas 24 horas, o que eleva o total de vítimas fatais para 9.053 no país - aponta o balanço anunciado nesta quarta-feira (1) pelo Ministério da Saúde.

Segundo país com mais mortes provocadas pela Covid-19, atrás apenas da Itália, a Espanha superou a barreira dos 100.000 casos notificados desde o início da epidemia, informou o ministério.

UTIs saturadas na região parisiense

Na França, a infecção viral também avança, colocando o sistema hospitalar sob forte tensão. O país tem 22.757 pessoas hospitalizadas com a Covid-19, sendo 5.565 pacientes em estado grave, e bateu ontem o recorde de mortes em 24 horas - 499 óbitos.

Hospitais públicos e privados da região de Ile-de France, onde fica Paris e seus subúrbios, não conseguem mais acolher doentes que precisam de ventilação mecânica. Essa saturação das UTIs levou as autoridades a iniciar a transferência de pacientes para outras áreas do país menos afetadas pela epidemia. Em Saint-Denis, periferia de baixa renda ao norte da capital, a afluência de casos graves é preocupante.

Nesta quarta-feira, os primeiros 36 pacientes da Ile-de-France são transferidos em dois trens de alta velocidade (TGV), adaptados para o transporte sanitário, para hospitais da Bretanha (oeste). Essas evacuações vão continuar nos próximos dias, porque o confinamento iniciado no dia 17 de março só deve provocar uma redução no número de doentes em duas semanas, segundo especialistas.

A França já tem mais de 3.500 mortos pela epidemia, sendo que um terço das vítimas fatais foram registradas na região de Ile-de-France.

O Ministério do Interior divulgou hoje um balanço das operações policiais de controle do confinamento. A polícia francesa emitiu 359.000 multas por desrespeito às regras de isolamento, em quase 6 milhões de blitz realizadas nos últimos 15 dias.

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