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Pandemia do coronavírus tem forte impacto no mercado mundial de café

10/04/2020 07h16

Produtores e exportadores de café da América Latina, África e de outras regiões do mundo devem se adaptar à situação excepcional provocada pela pandemia da Covid-29. O cenário para o setor é cheio de incertezas. 

Produtores e exportadores de café da América Latina, África e de outras regiões do mundo devem se adaptar à situação excepcional provocada pela pandemia da Covid-29. O cenário para o setor é cheio de incertezas. 

Claire Fages, da redação da RFI

Para limitar a disseminação da Covid-19, as autoridades quenianas pediram à Bolsa de Café de Nairobi que suspendesse seus leilões. Esse é um dos vários distúrbios causados ??pelo coronavírus a todo o setor cafeeiro mundial.

A Bolsa de Café de Nairobi interrompeu seu leilão eletrônico no meio de sua sessão em 31 de março, uma decisão das autoridades quenianas para impedir a propagação do vírus. Desde então, os 700.000 produtores estão preocupados com a comercialização de suas colheitas, a terceira maior fonte de receita de exportação do país.

O café queniano é um arábica de alta qualidade, destinado principalmente a torrefadores artesanais na Europa e nos Estados Unidos. É um nicho de mercado, com menos de 900.000 sacas de 60 quilos enviadas anualmente. Portanto, o impacto é mais local, no Quênia, do que internacional.

Honduras em quarentena em meio à colheita de café

No entanto, a indústria global de café continua a sofrer um grande impacto devido ao coronavírus. Honduras, o quarto maior exportador mundial, teve um período de confinamento de 15 dias no meio da colheita, assim como o Peru.

Na Índia, os embarques de café aguardam desesperadamente um selo do governo  para deixarem o porto de Bangalore. Os contêineres que ainda estão atracados na China desapareceram, os navios estão cancelando as escalas em Le Havre, na França, e não estão entregando café a tempo. E isso em um momento em que os consumidores estão correndo para garantir seus pacotes de café nas lojas, diante do receio de não ter o produto durante o confinamento. "O ritmo diminuiu um pouco, mas na França todo mundo comprou seu estoque de café", ironizou um comerciante.

Medo pelo Brasil, que não tomou medidas preventivas

A situação levou as grandes torrefadoras que fornecem a supermercados a comprar com antecedência de um mês suas compras de grãos. Essa corrida de curto prazo compensará o colapso do consumo de café fora de casa, já que bares, restaurantes e hotéis estão fechados? Nada indica isso. Os preços do arábica já caíram após uma forte recuperação desde o final de fevereiro.

O certo é que toda a indústria cafeeira precisa se adaptar a cada instante a um cenário de grandes pertubações. O grande temor para os próximos meses é que o Brasil, que iniciará a colheita, a maior de sua história segundo previsões, fique sem contêineres ou enfrente uma grande crise sanitária, uma vez que o governo do presidente Jair Bolsonaro não adotou medidas preventivas.

 

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