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Covid-19: Em meio a críticas contra o governo, Espanha inicia luto oficial de dez dias

Rei Felipe 6º da Espanha, a princesa Leonor, a rainha Letícia e a princesa Sofia fazem um minuto de silêncio, em seu palácio, em Madri, pelas vítimas do novo coronavírus no país - Casa de S.M. el Rey Spanish Royal Household via Getty Images
Rei Felipe 6º da Espanha, a princesa Leonor, a rainha Letícia e a princesa Sofia fazem um minuto de silêncio, em seu palácio, em Madri, pelas vítimas do novo coronavírus no país Imagem: Casa de S.M. el Rey Spanish Royal Household via Getty Images

27/05/2020 11h53

A Espanha iniciou hoje um luto nacional de dez dias em memória dos mais de 27 mil mortos de covid-19 no país. Mas a homenagem é realizada em um momento em que o governo é criticado por ter mantido uma marcha no dia 8 de março em Madri, em plena propagação do novo coronavírus.

Durante os próximos dez dias, as bandeiras estarão hasteadas a meio mastro em todos os prédios públicos da Espanha. Esse é "o luto mais longo da nossa democracia", restabelecida em 1977, disse o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.

No entanto, essa homenagem coincide com o momento em que o governo espanhol é alvo de fortes críticas por sua gestão do início da propagação do vírus no país. Principalmente após a realização da marcha de 8 de março, dia internacional das mulheres. Na ocasião, mais de 100 mil pessoas se reuniram em Madri e em outras cidades do país. As passeatas contaram com a participação de vários membros do governo.

Porém, a pandemia de coronavírus já avançava no território espanhol e a Guarda Civil havia publicado um relatório no qual criticava a realização da marcha em razão do risco de propagação acelerada do vírus durante o evento.

O documento aponta que as autoridades tinham consciência do perigo que representava a passeata, menos de uma semana antes do início da quarentena no país. O relatório também critica o chefe do centro de emergências sanitárias, Fernando Simón, por não desaconselhar a manifestação.

Na terça-feira (26), Simón defendeu a marcha. Segundo ele, o impacto da realização do ato na propagação do vírus teria sido "marginal". Ele lembra que no mesmo fim de semana a capital acolhia um jogo de futebol e que o metrô de Madri funcionava normalmente.

Ministro no olho do furacão

A polêmica colocou no olho do furacão o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, que demitiu o chefe do comando da Guarda Civil em Madri, coronel Diego Pérez de los Cobos, supervisor do polêmico relatório. O Partido Popular (PP), da oposição conservadora, pede a demissão do ministro. "Exigimos que prestem contas por terem ferido a independência da justiça na investigação sobre os possíveis delitos durante a manifestação de 8 de março, quando milhares de vidas foram colocadas em perigo", declarou Pablo Casado, chefe do PP.

A justiça reagiu e convocou a depor em 5 de junho, além do ministro do Interior, o delegado do governo espanhol na região de Madri, o socialista José Manuel Franco.

A Espanha é um dos países europeus mais castigados pela pandemia. As medidas locais de confinamento - consideradas como as mais estritas da Europa - começaram a ser flexibilizadas no final de abril.

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