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Bolsonaro ajudou número de mortos de covid-19 a explodir no Brasil, diz revista Paris Match

Homem trabalha em meio a sepulturas do Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus - EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Homem trabalha em meio a sepulturas do Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Imagem: EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

05/06/2020 15h53

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A revista Paris Match desta semana traz uma longa reportagem fotográfica sobre a gestão brasileira da crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus. Intitulado "Brasil no epicentro da infelicidade", o texto critica abertamente a posição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmando que "o descuido" do chefe de Estado "fez explodir o número de mortos devido à covid-19".

Paris Match é conhecida pelo slogan "O peso das palavras e o choque das imagens". E no caso das sete páginas publicadas sobre o Brasil, a revista foi fiel mais uma vez ao seu lema histórico.

A reportagem começa com uma foto de página dupla mostrando um enterro em Manaus, para onde foi enviado o correspondente especial da revista Régis Le Sommier. A legenda resume a situação, batizada de "crônica de uma hecatombe anunciada":

"Enquanto os coveiros cavam sem parar, Bolsonaro anda no meio de multidões. À negação do presidente se juntam a ausência de uma política geral, a fraca adesão ao confinamento e a falta de meios." "Em nome da economia, Bolsonaro rejeitou o confinamento", denuncia o jornalista.

A revista explica que o brasileiro não é o único dirigente do planeta a ter subestimado a epidemia, mas o compara ao rei da Tailândia, que enfrenta a crise confinado com 20 moças em um hotel de luxo na Alemanha. Como o líder asiático, aponta a reportagem, Bolsonaro "ficará na história como líder que mostrou mais desdém diante da pandemia".

Covas na floresta

Seguem imagens de mais enterros, com familiares se abraçando, aos prantos, diante de um mar de cruzes azuis e brancas em um cemitério de Manaus.

"A cidade enfrenta uma penúria de caixões e cava suas covas na floresta", escreve o enviado especial, que conta em detalhes o que viu na capital do Amazonas, mas também em outras partes do país.

Ele visitou o cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, "que em poucos dias se tornou um imenso campo de terra revirada, semeado, a perder de vista, por buracos do tamanho de corpos humanos". Enquanto isso, continua o texto, os partidários do presidente brasileiro se manifestam na avenida Paulista, em protestos contra as medidas de isolamento e pela retomada da economia do país.

O correspondente nota que, como no cemitério, os manifestantes não respeitam o distanciamento social. "Mas no caso dos bolsonaristas, gozar da covid-19 é um ato de reivindicação política. Como o chefe de Estado, que pratica jet-ski enquanto o mundo inteiro fecha suas praias", ironiza Paris Match.

Não se desenterra um morto de covid-19

A reportagem prossegue em Manaus, no cemitério Nossa Senhora Aparecida onde, no final de abril, 140 pessoas eram sepultadas diariamente. "Na precipitação, alguns corpos chegaram a ser enterrados no lugar errado e as famílias não puderam fazer nada, já que não se desenterra um morto de covid-19".

Nas ruas, a situação é de anarquia completa: poucos usam máscaras, as pessoas se reúnem nas calçadas de bairros de periferia como se não houvesse epidemia, pastores formam grupos sem nenhuma proteção e, no meio dessa lista de problemas, os índios da Amazônia são os que mais sofrem a pandemia, avalia a reportagem.

No hospital de campanha instalado na capital do estado, os indígenas ocupam uma ala inteira, conta o enviado especial.

"Em Manaus, o pico da pandemia parece já ter passado. Mas no interior, a devastação do vírus apenas começou", conclui a reportagem da revista Paris Match.

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