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Conheça a trajetória do líder terrorista da Al Qaeda que a França matou no Mali

O líder da Al Qaeda do Magreb Islâmico (Aqmi), Abdelmalek Droukdal, morto pela França no norte do Mali na quinta-feira (4) - Al-Andalus/AFP/Archivos
O líder da Al Qaeda do Magreb Islâmico (Aqmi), Abdelmalek Droukdal, morto pela França no norte do Mali na quinta-feira (4) Imagem: Al-Andalus/AFP/Archivos

06/06/2020 14h39

O Exército francês anunciou ter matado na quinta-feira (4) o líder da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (Aqmi), o argelino Abdelmalek Droukdal, no norte do Mali, perto da fronteira com a Argélia. A informação foi confirmada pela ministra francesa das Forças Armadas, Florence Parly.

A morte desse extremista histórico, comandante de vários grupos radicais na região do Sahel, poderá relançar a disputa com o grupo Estado Islâmico por hegemonia na região.

Abdelmalek Droukdal teria sido atingido por um disparo efetuado por um drone, informação ainda não confirmada pelo governo francês. "Vários dos seus colaboradores mais próximos também foram 'neutralizados'", tuitou Parly, sem dar mais detalhes. O balanço seria de cinco vítimas, incluindo o chefe da Aqmi, segundo o coronel Frédéric Barbry, porta-voz das Forças Armadas.

A Aqmi tem origem em um grupo criado no final da década de 1990 por extremistas islâmicos argelinos. O grupo tem bases no norte do Mali, de onde costuma lançar ataques e sequestros de ocidentais na zona subsaariana do Sahel (uma faixa de território que atravessa a África de oeste a leste).

Droukdal, nascido no começo dos anos 1970 e engenheiro de formação, reinou como mestre absoluto de vários grupos jihadistas da corrente salafista do Islamismo nos últimos 15 anos. No início de sua trajetória terrorista, ele comandou o Grupo Salafista pela Predicação e o Combate (GSPC), que se transformou na Al Qaeda do Magreb Islâmico (Aqmi), em 2007, subordinada ao comitê diretor da Al Qaeda, do qual ele fazia parte. O extremista lutou no Afeganistão e continuou comandando atentados sangrentos quando retornou à Argélia.

Segundo a ministra francesa das Forças Armadas, Droukdal dirigia as ações do JNIM, um dos principais grupos terroristas ativos no Sahel. O líder da Aqmi recebeu o apoio de outros grupos ativos na região, reunidos desde 2017 no Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM), dirigido pelo tuaregue malinês Iyad Ag Ghaly.

Ajuda dos Estados Unidos

O GSIM assumiu a autoria dos principais atentados no Sahel e figura na lista de "organizações terroristas" elaborada pelo governo americano. Os Estados Unidos disseram ter fornecido relatórios de inteligência que ajudaram a localizar Droukdal.

"O Comando Africano dos Estados Unidos foi capaz de dar sua ajuda, com relatórios de inteligência (...) e um apoio para bloquear o alvo", disse à CNN o porta-voz do comando do Exército dos Estados Unidos na África, coronel Chris Karns.

Para o jornalista Wassim Nasr, especialista em redes jihadistas no canal de TV France 24, do mesmo grupo da RFI, a morte de Droukdal representa "uma grande perda para o grupo Aqmi e também para a Al Qaeda central". Nasr acredita que Droukdal se encontrava no norte do Mali para dar apoio a algum grupo da esfera de influência da Aqmi que se via ameaçado por membros do Estado Islâmico.

Na sexta-feira (5), a França informou ainda a captura de um "importante oficial do EIGS", o grupo jihadista do Estado Islâmico (EI) no Grande Saara, rival do GSIM no Sahel e designado inimigo número um por Paris desde a cúpula de janeiro em Pau, na França. O evento reuniu o presidente francês, Emmanuel Macron, e os chefes de estado do G5 Sahel - Mauritânia, Burkina Faso, Mali, Níger e Chade.

"As operações contra o EIGS, a outra grande ameaça terrorista na região, continuam. Em 19 de maio, as Forças Armadas francesas capturaram Mohamed al-Mrabat, um veterano da 'Jihad' no Saara e um dos principais oficiais do EIGS", anunciou a ministra Parly no Twitter.

Na avaliação do jornalista Wassim Nasr, o EI tem sido alvo da atenção dos países que lutam contra o terrorismo na África, mas a Aqmi continua sendo historicamente o grupo mais forte e influente, que conta com o maior apoio popular e logístico na região. A morte do líder da Aqmi pode atiçar a disputa com o EI para inverter essa hegemonia.

Com mais de 5.000 militares, a força francesa antijihadista Barkhane aumentou nos últimos meses as ofensivas no Sahel para tentar conter a espiral de violência que, junto com conflitos intercomunitários, causaram 4.000 mortes no Mali, no Níger e em Burkina Faso no ano passado. Esse número é cinco vezes superior ao registrado em 2006, segundo a ONU.

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