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Covid-19: risco de segunda onda leva Alemanha a autorizar quarentena obrigatória

Centro de testes em Gutersloh, na Alemanha - Getty Images
Centro de testes em Gutersloh, na Alemanha Imagem: Getty Images

16/07/2020 10h36

A Alemanha vai autorizar, pela primeira vez, medidas de quarentena reforçadas em algumas localidades diante do risco de uma segunda onda de contágios do novo coronavírus. O país busca, através de novas regras, evitar uma segunda onda da doença.

As medidas integram um projeto de acordo entre o governo federal e os estados regionais, que deve ser concluído hoje. As autoridades alemãs desejam instaurar "proibições de saída" em zonas geográficas limitadas para os habitantes. Em caso de detecção de um novo foco de covid-19, os habitantes destas áreas voltariam, em seguida, ao confinamento total.

A Alemanha ainda não tinha aplicado proibições de saídas locais no território alemão. A regra não afetará, porém, regiões inteiras, como havia sido proposto anteriormente, mas será adotada em perímetros menores.

As novas medidas são uma novidade no país, um dos menos atingidos da Europa pelo novo coronavírus, que até agora tinha sido relativamente flexível em matéria de isolamento da população, contando com a disciplina e a boa vontade dos cidadãos.

Mesmo no momento de pico de contaminações, nos meses de março e abril, a maioria dos alemães, com exceção da região da Baviera, não teve que ficar em casa como os italianos, espanhóis e franceses.

"As restrições de saídas desnecessárias" serão aplicadas "para entradas e saídas" das zonas atingidas, segundo o texto elaborado pelos ministros de Saúde federal e regional.

O chefe da chancelaria federal, Helge Braun, precisou que o Exército alemão seria solicitado durante estes confinamentos. Os soldados das Forças Armadas federais poderiam ser acionados "para aplicar testes na população confinada, por exemplo", disse Braun à tevê publica ZDF. Isso permitirá, segundo ele, restringir os confinamentos a alguns dias apenas.

Segunda onda

A Alemanha começa a se preocupar com uma segunda onda do vírus, após ter sido obrigada a colocar em quarentena, no mês passado, mais de 600.000 pessoas de dois cantões da região da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país, por conta do surgimento de um foco importante de contaminações em um abatedouro.

Até agora relativamente pouco afetada pelo coronavírus, com 9.078 mortos por 200.000 contaminados, muitos alemães devem retornar das férias nos próximos dias, principalmente de Mallorca, na Espanha. Imagens recentes de pessoas vistas em festas na ilha espanhola, desrespeitando medidas de segurança contra o coronavírus, causaram alerta entre as autoridades.

"Nós acabamos de conseguir reabrir as fronteiras da Europa", disse Heiko Maas, ministro de Assuntos Exteriores da Alemanha, em uma entrevista à imprensa local. "Nós não devemos nos arriscar [a um novo fechamento] por comportamentos inconscientes. Se não, novas restrições serão inevitáveis", advertiu.

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