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Número de jovens contaminados por Covid-19 triplicou em cinco meses, diz OMS

04/08/2020 17h06

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (4), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o número de contaminações na faixa etária de 15-24 anos triplicou em apenas cinco meses. O motivo é o desrespeito dos jovens às medidas de barreira contra a doença e a frequentação de festas e aglomerações. 

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (4), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o número de contaminações na faixa etária de 15-24 anos triplicou em apenas cinco meses. O motivo é o desrespeito dos jovens às medidas de barreira contra a doença e a frequentação de festas e aglomerações. 

Da Europa aos Estados Unidos, do Brasil ao Japão: muitos jovens se recusam a reconhecer o perigo do coronavírus e se negam a se mobilizar na luta contra a doença. Os resultados deste comportamento constam de um estudo divulgado pela OMS.

A organização analisou 6 milhões de casos de coronavírus entre 24 de fevereiro e 12 de julho. De acordo com o balanço, a proporção de contaminações de pessoas da faixa etária de 15-24 anos passou de 4,5% a 15%.

A tendência não é exclusiva a um país ou continente; ela é observada de forma geral, alerta a OMS. A começar pelos Estados Unidos, que lideram em número de infecções e contaminações. Na Europa, vários países, como França, Espanha e Alemanha não escondem enfrentar dificuldades em lidar com aglomerações de jovens e registram novos casos da doença entre eles. 

Na Ásia, a situação não é diferente. Em maio, a Coreia do Sul - até então um exemplo na luta contra a doença - registrou um importante foco de coronavírus no bairro boêmio de Iaewon. Em Tóquio, os bairros famosos por festas noturnas, como Kabukicho e Shinjuku, se tornaram o símbolo da propagação da doença no país. Imagens como as que viralizaram no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, parecem se repetir em todos os cantos do mundo. 

Quase 700 mil mortes por Covid-19

O mundo está prestes a superar as 700.000 mortes por coronavírus, o que levou alguns países como as Filipinas a decretar um novo confinamento ou a forçar o uso de máscara nas ruas, como na França ou na Holanda. Na região da América Latina e Caribe, com mais de cinco milhões de casos e 203.000 mortes, o Brasil, com quase 95.000 mortes, é o país mais afetado.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou nesta terça-feira que a situação da Covid-19 no Brasil "continua crítica", enquanto alerta para o "impacto devastador" da pandemia em outras doenças.

Na Europa, no famoso Distrito da Luz Vermelha de Amsterdã, o uso de uma máscara passou a ser obrigatório. Na França, o Conselho Científico que lidera a gestão da crise sanitária no país, alertou que "o vírus circula mais ativamente" quando as medidas de barreira contra o vírus são relaxadas. O governo francês não esconde que há a possibilidade de novos lockdowns regionais, caso os contágios não parem de aumentar.

Muitas cidades francesas estão impondo o uso obrigatório de máscaras. Em Paris, a prefeita Anne Hidalgo anunciou que o uso de máscara será obrigatório em breve nas áreas de maior circulação da capital, como mercados abertos, parques e o cais do Rio Sena. 

Segundo o balanço realizado pela AFP nesta terça-feira, o vírus matou na Europa mais de 211.000 pessoas, de um total de 694.507 mortes em todo o mundo desde que a OMS o detectou na China em dezembro. Os Estados Unidos continuam liderando os países com mais óbitos, com 155.471 mortes e 4,7 milhões de casos, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. México, com mais de 48.000 mortes, Reino Unido (46.000) e Índia (quase 39.000) também fazem parte da lista com mais vítimas fatais do coronavírus.

Novos lockdowns e restrições

Diante do aumento de casos, muitos países começam a estabelecer novos lockdowns. É o caso das Filipinas, onde mais de 27 milhões de pessoas - um quarto da população - teve que se confinar novamente após o alerta lançado pelas associações médicas. Desde junho, quando a maioria do país encerrou o confinamento, as infecções multiplicaram por cinco e ultrapassaram 100.000 casos.

A preocupação também cresce na Austrália, que começou a aplicar novas restrições desde segunda-feira (3). A partir de quarta-feira (5) à meia-noite, todos os comércios não essenciais serão fechados em Melbourne, assim como as repartições públicas, uma medida que se soma ao toque de recolher noturno aplicado desde domingo aos residentes da cidade.

No Reino Unido, novas medidas de emergência, como restrições a reuniões e frequentação de bares e restaurantes, foram anunciadas na semana passada pelo governo para a região metropolitana de Manchester e em condados vizinhos, no norte da Inglaterra. No anúncio em sua conta no Twitter, o ministro da Saúde, Matt Hancock, provocou uma forte polêmica ao afirmar que os novos casos na área de cinco milhões de habitantes se devem ao fato de a população não estar respeitando as regras de isolamento social. 

Vários países europeus também impõem restrições a viagens não essenciais a locais considerados de risco. No fim de semana, a Bélgica foi ainda mais longe e proibiu deslocamentos de cidadãos às regiões espanholas de Navarra, Aragão, Barcelona e Lérida, aos cantões suíços de Vaud, Valais e a Genebra, além do departamento francês de Mayenne, no noroeste. 

(Com informações da AFP)