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Sob o calor de 40°C, franceses são obrigados a se render ao uso de máscara

08/08/2020 12h03

Nove departamentos do norte da França, entre eles a região parisiense, estão em alerta vermelho neste sábado (8) devido a uma nova onda de calor. Além de temperaturas que devem chegar aos 40°C, a população também enfrenta o aumento de casos de coronavírus e observa medidas de barreira contra a doença se multiplicarem, como a obrigatoriedade do uso de máscara em muitas cidades.

Nove departamentos do norte da França, entre eles a região parisiense, estão em alerta vermelho neste sábado (8) devido a uma nova onda de calor. Além de temperaturas que devem chegar aos 40°C, a população também enfrenta o aumento de casos de coronavírus e observa medidas de barreira contra a doença se multiplicarem, como a obrigatoriedade do uso de máscara em muitas cidades.

Calor e epidemia: os franceses enfrentam um fim de semana de recomendações para se proteger das altas temperaturas e tentar impedir a propagação do vírus. "Hidratem-se e cuidem das pessoas vulneráveis", alerta o Ministério do Interior. "Sejamos prudentes, vamos manter os bons reflexos", preconiza o Ministério da Saúde. 

Além da região parisiense, outros 53 departamentos estão sob alerta laranja. Em algumas cidades do sudoeste, as temperaturas devem ultrapassar os 42°C. 

Desde quinta-feira (6), uma nova onda de calor se instalou na França, um período que coincide com o aumento de novos casos de coronavírus. No total, 2.288 pessoas testaram positivo à doença em 24 horas, anunciou na sexta-feira (7) a Direção Geral da Saúde, lembrando que números similares não eram registrados desde maio. 

Por isso, as autoridades alertam que o calor não dispensa as medidas de barreira à Covid-19. O Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica ressalta que as máscaras podem ser utilizadas durante várias horas sem prejudicar a capacidade respiratória. 

Não por acaso, o acessório que já obrigatório em espaços fechados, vem sendo imposto também em áreas exteriores em várias cidades, como Marselha, Ajaccio, Bordeaux, Rennes e Lille. O mesmo passará valer para locais de forte circulação em Paris, a partir da próxima semana. 

Movimento antimáscara

As imposições relacionadas à crise sanitária nem sempre são seguidas pelos franceses. Não é incomum observar discussões nas portas de estabelecimentos onde a máscara é obrigatória. Desde o início da crise sanitária, alguns episódios violentos foram registrados.

Em julho, um motorista de ônibus morreu espancado em uma cidade do sudoeste depois de cobrar o uso do acessório por um grupo de jovens. No último fim de semana, um homem de 44 anos foi agredido em uma lavanderia por lembrar outro cliente a obrigatoriedade das máscaras nos locais fechados.

Embora nenhuma manifestação antimáscara tenha acontecido na França - como vem ocorrendo nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Alemanha - o movimento se expande nas redes sociais. No grupo do Facebook "Anti-masque obligatoire" ("Antimáscara obrigatória"), vários internautas dizem que esta prevenção seria apenas "um primeiro passo antes da vacinação obrigatória" ou que ela poderia desenvolver "fungos nos brônquios". Alguns até temem que um "microchip" possa ser incorporado ao acessório, permitindo o controle da população.

Para outros, é uma questão de liberdade individual: usar uma máscara diz respeito a uma "escolha". Em outro grupo, um internauta fica indignado com quem cumpre a obrigação da proteção, enquanto denuncia a política do presidente francês, Emmanuel Macron.

Mas ser "antimáscara" não significa necessariamente aderir às teorias da conspiração. Algumas pessoas dizem que estão "perdidas", ou que "não entendem" a política variável do governo sobre o assunto. No início da epidemia, as autoridades chegaram a se posicionar contra o uso geral do acessório. "As recomendações para o uso de máscaras evoluíram junto ao conhecimento do vírus SARS-CoV-2", justifica a Direção Geral de Saúde.