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Máscara de designer francesa que deixa sorriso à mostra conquista mercado

11/08/2020 14h10

A pandemia da Covid-19 transformou a vida e o cotidiano das pessoas, mas também gerou oportunidades de negócios. Com a generalização do uso da máscara de proteção, em locais fechados, mas também espaços abertos, surgiu a necessidade de adaptá-las a situações específicas, como é o caso dos deficientes auditivos e de pessoas com quem eles convivem.

A pandemia da Covid-19 transformou a vida e o cotidiano das pessoas, mas também gerou oportunidades de negócios. Com a generalização do uso da máscara de proteção, em locais fechados, mas também espaços abertos, surgiu a necessidade de adaptá-las a situações específicas, como é o caso dos deficientes auditivos e de pessoas com quem eles convivem.

A designer francesa Anissa Mekrabech, de 31 anos, é pioneira dessa iniciativa na França. A jovem criadora, que vive em Toulouse, no sudoeste do país, tem um grau de surdez moderada nos dois ouvidos. Em abril, durante o confinamento, ela precisou passar na farmácia para comprar um remédio. Todos os funcionários usavam uma máscara cirúrgica, o que tornava a leitura labial, essencial para sua comunicação, impossível.

"Tenho uma surdez bilateral moderada. Existem quatro graus de surdez: leve, moderada, severa e profunda. No meu dia-a-dia, consigo ouvir graças a meus aparelhos auditivos, mas utilizo bastante a leitura labial", conta.

A experiência foi marcante. "Essa foi a primeira vez que eu estava diante de pessoas que usavam a máscara. Também tinha a barreira de acrílico, a distância de segurança, e, além de tudo, a máscara, que tinha o duplo inconveniente de impedir o som de passar e a leitura labial", conta.

Anissa explicou sua situação aos funcionários da farmácia, dizendo que ouvia as vozes deformadas. Eles responderam de forma pausada e a designer acabou conseguindo comprar seu medicamento. Foi nesse momento que ela pensou que seria fundamental criar um dispositivo médico específico para pessoas como ela, mas também para precisa, por diferentes razões, deixar o rosto à mostra.

Anissa teve então a ideia de criar uma máscara com uma "janela" para as expressões faciais. O acessório já existe alguns anos nos Estados Unidos e havia despertado o interesse da designer. Com sua irmã, Souad Mekrabech e uma amiga, Aïda Najjar, Anissa teve então a ideia de criar "a máscara inclusiva" ("le masque inclusif" em francês). "Montei, em alguns dias, o site internet, fiz a coleta de fundos e criei o protótipo, que foi muito compartilhado nas redes sociais nas mídias.

Crowdfunding

Anissa lançou um crowdfunding (coleta virtual), obtendo rapidamente cerca de ? 18 mil. "Tinha imaginado o projeto em escala local em Toulouse, mas ele ultrapassou as fronteiras", contou Anissa à RFI Brasil. Com a verba na mão, a designer criou dois modelos de máscara, com elásticos ou tecidos para amarrar na parte de trás, que foram validados depois de testes de 50 protótipos diferentes, feitos com tecidos convencionais.

A máscara que hoje está à venda no site criado por Anissa é feita de polipropileno e plástico e foi homologada pelas autoridades francesas. Ela tem uma janela transparente que deixa a boca à mostra, não embaça, impede a projeção de micropartículas e possibilita a leitura labial. A comercialização começou há cerca de um mês na Europa e depois se expandiu para o exterior. Hoje as entregas podem ser feitas em todo o mundo, por um custo reduzido.

O público-alvo da máscara, frisa Anissa, não são apenas os deficientes auditivos, mas sobretudo as pessoas com quem eles convivem. O dispositivo também interessa ao consumidor que precisa de um contato maior com seu interlocutor: é o caso de cuidadoras de creches, professores, vendedores ou profissionais que trabalham no atendimento em hotéis ou restaurantes.

"Ela deixa à mostra a expressão do rosto, as emoções e o sorriso, que são muito importantes em nosso cotidiano". Anissa também está desenvolvendo e aperfeiçoando um modelo para crianças, que em breve estará disponível.

O preço do produto é de ? 8. Ele é mais elevado do que as máscaras convencionais porque utilizam PVC no acabamento e tecidos que filtram as partículas. O acessório é fabricado em um grande ateliê em Evreux, no noroeste da França, pela empresa especializada em produtos concebidos para deficientes, a APF France Handicap. A demanda só aumenta - mais de 13 mil máscaras já foram encomendadas pelas empresas francesas.