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Com turismo em baixa em 2020, Lisboa tem Liga dos Campeões como alento para superar crise financeira

Fase final da Liga dos Campeões de 2019/20 em Lisboa ajuda a aquecer economia local - C. Gavelle/PSG
Fase final da Liga dos Campeões de 2019/20 em Lisboa ajuda a aquecer economia local Imagem: C. Gavelle/PSG

Da RFI, em Lisboa

14/08/2020 09h32

Mesmo sem a presença de torcida nos estádios de futebol, a fase final da Liga dos Campeões da Europa de 2020 deve ter grande influência positiva no setor do turismo em Lisboa. O evento esportivo, que vai até o dia 23 de agosto, está movimentando a economia nacional e serve como alento para a capital portuguesa superar a crise financeira causada pela pandemia do coronavírus.

Apesar dos poucos turistas na cidade em plena alta temporada do verão europeu, a esperança dos comerciantes é que um número maior de estrangeiros visite a cidade durante essas duas semanas do torneio. Segundo um estudo realizado pelo IPAM (Instituto Português de Administração e Marketing), a Liga dos Campeões deve trazer um impacto econômico de 50,4 milhões de euros para o país, valor maior que os 46 milhões de euros que Portugal arrecadou quando Lisboa sediou a final da mesma competição em 2014, no título do Real Madrid frente ao Atlético de Madri. Apesar de naquela temporada ter havido a presença de público normalmente, foi um jogo único contra sete partidas disputadas em 12 dias este ano.

Durante o período atual, a expectativa do IPAM é que 16 mil torcedores viajem à cidade, além de 3.300 outros visitantes, o que inclui 600 integrantes nas delegações das oito equipes, 400 jornalistas, mil funcionários de diversas áreas de apoio, mil convidados da Uefa, 200 trabalhadores da produção de TV e 42 membros da arbitragem.

São essas pessoas que vão dar um impulso e injetar dinheiro em estabelecimentos comerciais, como hotéis, lojas, restaurantes e bares. De acordo com o estudo, quase metade dos 50 milhões de euros previstos sejam gastos com alimentação, e o restante distribuído entre diversos setores, como os de hospedagem, lazer, segurança e eventos.

A Liga dos Campeões é vista pela maioria dos comerciantes como uma oportunidade de sair da crise, mas nem todos concordam com as recomendações das autoridades de saúde.

"A situação não está fácil, o movimento está muito fraco. Os jogos da Champions esta semana melhoram um pouco, mas não muito. Depende do dia. Normalmente em agosto a cidade está lotada de gente, mas este ano não temos nem metade dos turistas que costumam passear por aqui. Depois do confinamento e do fechamento do comércio por três meses, muita coisa mudou. Eu acho tudo isso uma hipocrisia, os fracos e velhos vão morrer, alguém está ganhando dinheiro com tudo isso", lamentou o francês David Lopes, proprietário do bar Spot, no bairro do Chiado, no centro de Lisboa.

Promoções para atrair clientes

Diversos estabelecimentos fazem promoções para tentar atrair clientes, mas a movimentação por enquanto ainda é tímida.

Na quarta-feira, quando o Paris Saint-Germain venceu a Atalanta de virada, e na quinta, quando o Leipzig bateu o Atlético de Madri, em duelos pelas quartas de final, bares e restaurantes colocaram televisões para transmitir as partidas. Dezenas de pessoas se reuniram em alguns deles para assistir, mas a limitação de horário e de venda de bebidas alcóolicas também atrapalha. Depois das 20h, só é permitido vender álcool para quem estiver comendo, e o fechamento é obrigatório às 23h em alguns lugares ou à 1h em outros quem têm autorização.

"Infelizmente os jogos são sem público, mas viemos para Lisboa mesmo assim para estar perto do Atlético e ao mesmo tempo fazer turismo. É uma pena que o clima de festa não seja igual ao que acontece sempre no futebol, a cidade está vazia. A situação da Covid é realmente preocupante, mas com precauções podemos nos divertir", disse o espanhol Marco Rodríguez, torcedor do Atlético de Madri.

A própria Uefa tem evitado promover atrativos para o evento na capital portuguesa, como é de costume em todas as temporadas. Por enquanto, apenas um troféu inflável gigante da Champions League está exposto na Praça do Rossio, mas a movimentação por lá está baixa.

A estimativa é que Lisboa, que recebe em média 4,5 milhões de turistas por ano, tenha uma queda de mais de 70% de visitantes em 2020. Enquanto isso, trabalhadores, portugueses, brasileiros e outros estrangeiros de várias nacionalidades que vivem na cidade, tentam se adaptar ao "novo normal" para seguirem suas trajetórias profissionais na esperança de uma melhora o quanto antes.

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