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Países do Brics estão entre os mais afetados pela Covid-19, mas cooperação é fraca

14/08/2020 06h06

Na delicada conjuntura da pandemia de coronavírus e de aumento dos nacionalismos nos quatro cantos do mundo, o grupo dos Brics, formado pelas cinco maiores economias emergentes do mundo, andava apagado - mas ressaltou sua relevância ao acertar um empréstimo de US$ 4 bilhões para ajudar os países a se recuperar da crise. O potencial de ações do grupo é prejudicado por um contexto global e individual dos países, que não favorecem mais a cooperação multilateral como na criação do bloco, em 2009.

Na delicada conjuntura da pandemia de coronavírus e de aumento dos nacionalismos nos quatro cantos do mundo, o grupo dos Brics, formado pelas cinco maiores economias emergentes do mundo, andava apagado - mas ressaltou sua relevância ao acertar um empréstimo de US$ 4 bilhões para ajudar os países a se recuperar da crise. O potencial de ações do grupo é prejudicado por um contexto global e individual dos países, que não favorecem mais a cooperação multilateral como na criação do bloco, em 2009.

"Na primeira década, os Brics alcançaram um sucesso razoavelmente grande: fizeram avançar as reformas das instituições de Bretton Woods, como Banco Mundial e FMI, e criaram o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que agora aprovou esse empréstimo de US$ 1 bilhão de dólares para o Brasil", explica Karin Vazquez, professora associada da Jindal Global University, de Nova Délhi, e pesquisadora do Centro de Estudos dos Brics da Universidade de Fudan, da China.

"Mas nesta segunda década, o contexto mundial e doméstico de cada país mudou bastante, além do contexto econômico, que se agrava com a pandemia. Isso, naturalmente, volta os olhos dos tomadores de decisão e governantes para questões mais domésticas", nota Vazquez. "A crise econômica interna volta os olhos para dentro e acaba faltando fôlego para os Brics."

Desafios comuns

Os cinco países emergentes estão entre os mais afetados pela pandemia no mundo, sobretudo Brasil, Rússia e Índia, que despontam em número de contágios e mortes. O desafio do enfrentamento do coronavírus é comum, mas a cooperação entre os integrantes do Brics se limita à troca de informações e estímulos a pesquisas sobre o coronavírus, além do aporte financeiro divulgado no início do mês pelo NDB.

No caso do Brasil, a Covid-19 ainda acentuou as animosidades com a China, embora o país asiático seja o maior parceiro comercial dos brasileiros. Integrantes do governo e a militância bolsonarista não hesitaram em sugerir que Pequim é a responsável pela expansão do vírus no mundo e o apelidaram de "doença chinesa". O argumento é usado por adeptos das teorias da conspiração para explicar os impactos e consequências da pandemia no planeta.

Vendas para a China deram fôlego a exportações brasileiras

O alinhamento quase automático de Brasília aos Estados Unidos, que travam uma guerra comercial e diplomática com a China, acentua o esfriamento da relação sino-brasileira.

"A nossa relação com a China é bem diferente da que a gente tem com alguns dos outros Brics: existe um peso econômico muito forte da China na nossa economia e uma ruptura seria muito grave para o atual estado da nossa economia, em que a China é o destino de 40% das nossas exportações", frisa Vazquez. Entre janeiro e maio, no auge da pandemia, as exportações do Brasil caíram 7,2%. Porém, neste mesmo período, as vendas para a China cresceram 12,4%.

"O pragmatismo é fundamental, é a palavra de ordem aqui na China. A questão ideológica sempre existe, sempre haverá tendências de um lado e de outro, ideias diferentes. Mas o o diálogo é importante e eu acho que falta um entendimento do que é a China para a nossa economia, e o que a gente pode e quer ganhar desse relacionamento", analisa a pesquisadora.