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Caso Navalny: Otan pede explicações à Rússia sobre agente químico; Moscou ignora

04/09/2020 11h17

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, pediu nesta sexta-feira (4) a Moscou que revelasse completamente informações sobre seu programa Novichok, após o envenenamento do oponente russo Alexei Navalny. A Rússia ignorou o pedido.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, pediu nesta sexta-feira (4) a Moscou que revelasse completamente informações sobre seu programa Novichok, após o envenenamento do oponente russo Alexei Navalny. A Rússia ignorou o pedido.

"Pedimos à Rússia que comunique totalmente sobre seu programa Novichok com a Organização para a Interdição de Armas Químicas (OIAC)", disse Stoltenberg durante entrevista coletiva em Bruxelas, após uma reunião excepcional dedicada ao caso Navalny.

"Os aliados da Otan concordam que agora a Rússia deve responder a sérios questionamentos. O governo russo deve cooperar totalmente com a OIAC como parte de uma investigação internacional imparcial", afirmou, pedindo que os responsáveis ??por este envenenamento sejam levados à Justiça.

"Qualquer uso de armas químicas mostra uma total falta de respeito pela vida humana e constitui uma flagrante violação do direito internacional", continuou.

Ele disse que a Alemanha informou aos aliados da Otan sobre os resultados de sua investigação, segundo a qual Navalny foi exposto a um agente nervoso do tipo Novichok, projetado pela União Soviética para fins militares na década de 1970.

Stoltenberg não quis especular sobre possíveis sanções contra a Rússia.

Rússia ignora pressão

A Rússia ignorou solenemente a pressão ocidental nesta sexta-feira (4), expressando seu ceticismo sobre a investigação alemã que diagnosticou o envenenamento por um agente nervoso do oponente russo Alexei Navalny.

Para o Kremlin, os apelos ocidentais não mudam nada. "Desde os primeiros dias, diferentes pistas, incluindo as de envenenamento, foram examinadas por especialistas russos", disse o porta-voz da presidência russa. Dmitry Peskov. "De acordo com nossos médicos, esse rastro não existe. [O envenenamento] não foi confirmado, outras suspeitas médicas estão em estudo".

O ministro do Interior, Vladimir Kolokoltsev, decidiu que "não há razão" para acreditar que um crime foi cometido. Nos dias anteriores, as autoridades russas já haviam estimado que Moscou não tinha do que se envergonhar, que qualquer sanção seria inaceitável e alertou contra uma "politização" do processo.

"O hospital em Omsk forneceu informações mais detalhadas e com mais frequência do que Berlim sobre a condição do paciente", disse Peskov, considerando os médicos russos "mais transparentes" do que seus colegas alemães.

O governo alemão, entretanto, anunciou ter "evidências inequívocas" de que o oponente russo, hospitalizado em Berlim, foi envenenado por um agente do tipo Novichok. Angela Merkel exigiu explicações da Rússia.

Caso Skripal

O Novichok já havia sido usado contra o ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha Yulia em 2018, na Inglaterra. Segundo as autoridades britânicas, o GRU, a inteligência militar russa, era o principal suspeito.

Este caso provocou sanções contra a Rússia, que negou qualquer envolvimento.

Digestão, álcool, fadiga

O porta-voz do Kremlin, que nunca pronuncia o nome de Alexei Navalny, finalmente informou que os serviços secretos russos estavam "analisando" as afirmações do presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que afirma que seu país interceptou uma troca de mensagens entre Berlim e Varsóvia, provando que o envenenamento foi "adulteração".

O toxicologista-chefe da região de Omsk, Alexander Sabayev, considera que Navalny, ainda em coma induzido e em ventilação, pode ter sido vítima de um problema de digestão, álcool ou fadiga, mas não de um veneno.

"Seu corpo não reagia ao veneno, então não havia nenhum", disse ele.

Segundo o médico russo, seu estado pode ter sido causado por sua "alimentação", "talvez por abuso de álcool" ou mesmo "estresse ou cansaço" ou "um longo período de exposição ao sol ou, ao contrário, resfriamento ".

Ivan Zhdanov, diretor do Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK), grupo de Nalvany, havia alertado na quinta-feira (3) que o Kremlin intensificaria os esforços para desacreditar a ideia da tentativa de assassinato.

"O estado russo vai apresentar as versões mais absurdas e insanas para explicar o que aconteceu. Esta é a maneira de trabalhar deles", disse ele, denunciando um "novo capítulo" na história da violência do Kremlin contra seus adversários.

Principal oponente do Kremlin e ativista anticorrupção, Alexei Navalny, 44, foi hospitalizado na Sibéria no final de agosto, após adoecer em um avião. Ele foi então transportado para Berlim, onde permanece em estado grave.

(Com informações da AFP)