PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Após atentado terrorista, governo francês lança plano para proteger professores

20.out.2020 - Parentes e amigos seguram uma foto do professor Samuel Paty em homenagem em Conflans-Sainte-Honorine; ele foi decapitado em um atentado que chocou a França - Bertrand Guay/AFP
20.out.2020 - Parentes e amigos seguram uma foto do professor Samuel Paty em homenagem em Conflans-Sainte-Honorine; ele foi decapitado em um atentado que chocou a França Imagem: Bertrand Guay/AFP

22/10/2020 12h50

O ministro da Educação da França, Jean Michel Blanquer, lançou hoje um plano para valorizar e proteger os professores de escolas públicas. O atentado contra o professor Samuel Paty, de 47 anos, colocou em destaque os riscos do trabalho de educadores no país.

O plano, chamado de Grenelle da Educação, que prevê um aumento dos salários dos professores e medidas de proteção suplementares, já estava presente na agenda do ministério para este ano. Mas foi revisto depois do assassinato de Paty, para colocar ainda mais "o professor no centro da sociedade", de acordo com o ministro da Educação.

"Hoje, temos o tema da proteção dos professores, mas também do reconhecimento. Esta questão já existia antes e nós temos que dar uma resposta. Por isso trabalhamos há meses com organizações sindicais sobre o que chamamos de agenda social", já havia anunciado Blanquer, ontem, durante uma sessão de perguntas ao governo no Senado.

De acordo com o ministro, o plano do governo francês se baseia no "reconhecimento financeiro, na cooperação, isso é, no trabalho em equipe, na modernização e na proteção".

Além do aumento de salários, que vai beneficiar principalmente os mais jovens, mas deve alcançar toda a categoria, a proposta "visa à transformação de nosso sistema, principalmente no que se refere a recursos humanos de proximidade, com um sistema de educação mais presente, mais preocupado com que acontece com cada professor, o acompanhando em sua carreira", afirmou Blanquer. Além do conjunto de medidas práticas, o objetivo do ministério é manifestar "o reconhecimento do país a todos os professores".

"Este salto nacional deve nos conduzir a considerar que o professor é central em nossa sociedade e que cada um de nós, em nossa vida como pais de alunos, cidadãos, deve respeitar os professores e ter discursos que coloquem o professor no centro de nossa sociedade", acrescentou.

Entre as sete pessoas indiciadas pelo assassinato de Samuel Paty estão dois estudantes, de 14 e 15 anos, do colégio onde o professor trabalhava, e o pai de um aluno que convocou uma mobilização logo após o curso ministrado por Paty sobre liberdade de expressão.

Sindicatos

Um encontro do ministro com sindicatos de professores está previsto para 2 de novembro, dia da volta às aulas após as férias de outono na França. Questionado sobre os temas que estarão na agenda da reunião, Blanquer disse que pediu à classe política, vereadores, prefeitos e senadores, que estejam presentes, junto aos professores no retorno às aulas.

O orçamento de 2021 do ministério teve um acréscimo de € 400 milhões, que deve ser usado para aumentar os salários dos professores. Um educador francês em início de carreira ganha em média € 28 mil por ano, cifra 7% menor que a média dos países membros da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O investimento deve financiar diferentes gratificações, principalmente a de atratividade, concedida a profissionais em início e meio de carreira, e uma bonificação para equipamento informático de € 150 anuais para cada professor.

Ao contrário do que temiam os sindicatos, os aumentos de salários não serão condicionados a um maior tempo de trabalho ou de outras contrapartidas.

Internacional