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Coronavírus

Governo argentino publicará decreto para a volta dos turistas brasileiros a Buenos Aires

Luciana Rosa/UOL
Imagem: Luciana Rosa/UOL

Márcio Resende

25/10/2020 09h50

O presidente Alberto Fernández irá assinar neste domingo (25) um decreto-lei que reabre a fronteira aérea da Argentina aos turistas de Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile. O grande alvo são os brasileiros, responsáveis pela metade de todo o turismo estrangeiro na Argentina.

A decisão de Fernández decorre da necessidade de aumentar a receita com o turismo diante do agravamento da crise econômica deflagrada pela epidemia do coronavírus. O governo dá os últimos retoques na medida que vai permitir a entrada no país de turistas dos países com os quais faz fronteira. Os brasileiros são os que mais visitam a Argentina e os que mais gastam durante sua estadia.

O decreto que reabre a fronteira aérea, fechada desde 16 de março, terá limitações: os turistas só poderão chegar ao Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires.

"É uma reabertura para turistas estrangeiros de países limítrofes. Estará no decreto que será assinado neste domingo pelo presidente Alberto Fernández. A partir de segunda ou terça-feira, por meio de uma decisão administrativa, estarão as especificações sobre requisitos e tempo de permanência", antecipou o ministro do Turismo, Matías Lammens.

A medida deve entrar em vigor a partir de 1° de novembro, depois que o governo definir os requisitos para a volta dos turistas. Para evitar uma quarentena de 14 dias, os estrangeiros deverão fazer um teste de PCR no ponto de origem e provavelmente na chegada à Argentina. Outra exigência poderá ser uma declaração juramentada ao aterrissarem.

"Posso adiantar que se exigirá um teste de PCR negativo na origem e estamos terminando de acertar qual outra prevenção vamos exigir (...) para os turistas poderem ficar na cidade sem quarentena. Calculo que, a partir de 1° de novembro, os voos já estarão disponíveis", projeta o ministro, calculando o intervalo necessário à programação de voos e a disponibilidade para a venda de passagens.

Além do aeroporto internacional de Buenos Aires, os que vierem pelo Uruguai poderão desembarcar também no porto de Buenos Aires, por meio das embarcações que asseguram o transporte entre os dois países.

As fronteiras terrestres continuarão fechadas. Assim, ônibus e carros de passeio continuarão impedidos de entrar no país. A limitação visa poder controlar a entrada de estrangeiros com mais rigor sanitário.

"A decisão tomada é a reabertura das fronteiras aéreas e, no caso do Uruguai, também a marítima. Não as terrestres com nenhum dos países. Assim poderemos controlar muito mais facilmente o fluxo de pessoas que entram no país", garante Lammens.

Buenos Aires, destino único

Por enquanto, os turistas só poderão visitar a capital argentina sem poder viajar para outros destinos dentro do país. Os voos domésticos foram retomados na semana passada, mas estão limitados a trabalhadores de atividades essenciais.

Além disso, cada província argentina tem requisitos próprios para a entrada de residentes pela via aérea e algumas não permitem nem mesmo a chegada de voos domésticos. Os próprios argentinos estão proibidos de atravessar as fronteiras terrestres das províncias.

A cidade de Buenos Aires tem flexibilizado as restrições a partir de uma constante queda da curva de contágios. No resto do país, a situação vai no sentido contrário. O vírus avança pelo interior, onde as restrições aumentam.

Mesmo em Buenos Aires, um dos pontos a serem definidos será se os turistas poderão usar o transporte público, atualmente reservado para trabalhadores essenciais.

Cofres vazios

A Argentina vive uma crise cambial devido à escassez de dólares do Banco Central, cujas reservas líquidas estão a ponto de acabar.

Proibidos de comprarem dólares de forma oficial, os argentinos têm recorrido ao mercado paralelo, fazendo disparar diariamente a cotação da moeda norte-americana. A procura desenfreada pelo dólar como reserva de valor está associada a uma depreciação constante do peso argentino. Apenas no último ano, desde que Alberto Fernández foi eleito, a moeda argentina perdeu 350% do seu valor no mercado paralelo.

Enquanto o dólar oficial vale 83,85 pesos, o dólar paralelo, o único ao qual se pode ter acesso, alcançou 195 pesos na sexta-feira, uma diferença de 132%.

O governo entende que a Argentina está barata para o turismo e que a entrada de moeda estrangeira no país vai ajudar a baixar a febre no mercado paralelo do dólar.

"Entendemos que a situação cambial do país é muito atraente para os turistas estrangeiros. Não podemos negar que precisamos da entrada de divisas e, para isso, o turismo vai ajudar muito, além de ser um dos grandes motores para a reativação da economia", admitiu o ministro.

Lammens indicou que a administração de turistas dos países vizinhos funcionará como uma prova piloto para, futuramente, permitir também a chegada de europeus.

A Argentina recebeu 7,3 milhões de turistas em 2019. Eles injetaram 6 bilhões de dólares na economia do país. Em Buenos Aires, foram três milhões de turistas que deixaram 2,5 bilhões de dólares.

Atualmente, os hotéis estão proibidos de receber turistas. Em Buenos Aires, 55 hotéis foram transformados em hospitais de campanha para argentinos que chegavam do exterior e que precisavam ficar em quarentena. Também para doentes leves e para pacientes assintomáticos. Com a redução significativa do número de casos positivos da Covid-19 na cidade, esse público declinou nesses estabelecimentos.

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