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Subvenções de € 15 bi por mês, máscara desde os 6 anos nas escolas: veja o que mudou no 2° lockdown da França

29/10/2020 17h10

Home office massivo, máscara obrigatória nas escolas para crianças desde os 6 anos de idade, empréstimos bancados pelo Estado para as pequenas empresas: um dia após o anúncio de um novo lockdown, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, detalhou nesta quinta-feira (29) o passo a passo da medida radical decidida pelo presidente Emmanuel Macron para combater a segunda onda da Covid-19, "provavelmente mais mortal" que a primeira.

Home office massivo, máscara obrigatória nas escolas para crianças desde os 6 anos de idade, empréstimos bancados pelo Estado para as pequenas empresas: um dia após o anúncio de um novo lockdown, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, detalhou nesta quinta-feira (29) o passo a passo da medida radical decidida pelo presidente Emmanuel Macron para combater a segunda onda da Covid-19, "provavelmente mais mortal" que a primeira.

Apesar da resignação diante do agravamento da epidemia, a ansiedade dos franceses na véspera de seu segundo lockdown era grande. Para detalhar todos os aspectos do dispositivo, o premiê Jean Castex deu uma entrevista coletiva ao lado dos ministros do Trabalho, Élisabeth Borne, da Economia, Bruno Le Maire, da Educação, Jean-Michel Blanquer, e da Cultura, Roselyne Bachelot.

Três mudanças importantes foram implementadas em relação à contenção da primavera: creches e escolas do ensino fundamental e médio permanecerão abertas, o trabalho poderá continuar com ênfase total no home office, sempre que possível, e os idosos residentes em asilos poderão receber visitas. Por outro lado, o ensino universitário só será ministrado à distância. Lojas, bares, restaurantes e todas as atividades culturais fecham, mas foram autorizadas algumas derrogações. As livrarias, por exemplo, poderão receber pedidos de clientes por e-mail para retirada na porta.  

De acordo com uma pesquisa da consultoria Odoxa-Dentsu para a rádio France Info e o jornal Le Figaro, sete em cada 10 franceses são a favor do novo lockdown, que de toda forma é menos abrangente do que o adotado de março a maio. O dispositivo entra em vigor depois da meia-noite desta quinta-feira e irá durar, no mínimo, até 1° de dezembro.

O uso de máscaras na escola será estendido aos alunos do ensino primário a partir dos 6 anos, contra 11 anos anteriormente, anunciou Castex. Para os trabalhadores, "o uso do home office deve ser o mais massivo possível" durante o confinamento, exortou o primeiro-ministro.

Salas de espetáculos, cinemas, teatros e museus também serão fechados durante o lockdown, disse Castex. O premiê reconheceu que suspender essas atividades "é muito doloroso, mas necessário para garantir a eficácia" das medidas anti-Covid. "Autorizamos os ensaios para os shows, as gravações e as filmagens para preparar as atividades no futuro", especificou.

Os prestigiosos prêmios literários Goncourt e Interallié, que deveriam ser atribuídos nos dias 10 e 18 de novembro, só serão entregues aos vencedores se as livrarias já estiverem abertas na França nessa data, uma vez que as medidas de restrição serão avaliadas a cada duas semanas para ajustes.

As competições esportivas profissionais também poderão continuar durante este novo período de reclusão, mas sem a presença do público.

Subvenções e ajudas do Estado da ordem de € 15 bilhões por mês de lockdown

As medidas de apoio às pequenas empresas para ajudá-las a superar o novo lockdown decretado por Macron chegam a € 15 bilhões por mês, disse o ministro da Economia, Bruno Le Maire, nesta quinta-feira.

"A cada mês, cerca de € 6 bilhões serão destinados para os chamados fundos solidários, € 7 bilhões para a atividade parcialmente reduzida, "€ 1 bilhão de euros para isenções de contribuições para a segurança social e € 1 bilhão para cobrir parte das cotisações sociais corporativas", detalhou Le Maire.

O fundo de solidariedade para as empresas, criado durante a primeira quarentena, vai ser reativado e estendido a firmas com até 50 trabalhadores, a fim de compensar as perdas relacionadas com as medidas de restrição. "Todos os negócios que serão fechados por decisão administrativa podem receber indemnizações de até € 10 mil, detalhou o ministro da Economia.

Para incentivar os proprietários de estabelecimentos comerciais a se solidarizarem com os seus inquilinos, eles poderão se beneficiar de um crédito fiscal para quem abrir mão de "pelo menos um mês de aluguel" entre outubro e dezembro. As empresas em questão, neste caso, são aquelas com "menos de 250 empregados", que "estiverem administrativamente fechadas" ou pertencem "aos setores de hotelaria, cafés, restaurantes, cultura", especificou Le Maire. Os proprietários dos locais poderão beneficiar de um crédito fiscal representativo de "30% do valor dos aluguéis abandonados".

Enterros e casamentos

As celebrações religiosas serão proibidas durante o novo lockdown, "exceto para enterros até um limite de 30 pessoas e para casamentos até um limite de seis pessoas".

"Os locais de culto permanecerão abertos, mas as cerimônias religiosas serão proibidas", recordou Jean Castex durante a coletiva de imprensa. Durante a quarentena da primavera, o limite para funerais era de 20 pessoas, sendo que os casamentos eram proibidos.

"Será aplicada uma tolerância para as cerimônias planejadas neste final de semana do Dia de Todos os Santos, uma data do calendário católico concorrida na França, bem como para compras em floriculturas e visitas a cemitérios no dia de finados, disse o chefe de governo de Macron.

Protocolos de saúde reforçados nas escolas

O novo protocolo reforçado de saúde que será implementado nas escolas "vai permitir o acolhimento de todos os alunos, seja no primário, no colégio ou no ensino médio", garantiu nesta quinta-feira o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer.

É "absolutamente fundamental manter nossa escola aberta o máximo que pudermos", disse o ministro. Blanquer prometeu uma "política de testes proativa, com prioridade para o pessoal do serviço educacional". "Continuaremos fechando estruturas sempre que necessário", afirmou.

O novo protocolo, que vai reger as escolas "preparadas desde julho", prevê uma organização dos horários de entrada e saída escalonadas no tempo, segundo o ministro da Educação. Blanquer não mencionou, no entanto, o acolhimento de apenas metade dos alunos por sala de aula, uma exigência feita por vários sindicatos. Ele simplesmente defendeu uma "flexibilidade" que os diretores das escolas irão definir. "O protocolo de continuidade pedagógica torna possível considerar a educação à distância para alunos vulneráveis ??ou para grupos de alunos", disse.

A alimentação nas cantinas escolares será "mantida por razões sociais, garantindo que os alunos do mesmo grupo fiquem separados por um metro, tanto quanto for possível".

A França registrou mais 47.636 novos casos positivos do coronavírus nas últimas 24 horas, e 235 mortes adicionais.

Com informações da AFP