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Mianmar: partido de Aung San Suu Kyi deve sair vitorioso em eleções legislativas

08/11/2020 08h59

Os birmaneses vão às urnas neste domingo (8) para eleições legislativas nas quais se espera a vitória do partido da prêmio Nobel Aung San Suu Kyi, considerada uma heroína no país, mas muito criticada pela comunidade internacional pela crise dos rohingyas.

Os birmaneses vão às urnas neste domingo (8) para eleições legislativas nas quais se espera a vitória do partido da prêmio Nobel Aung San Suu Kyi, considerada uma heroína no país, mas muito criticada pela comunidade internacional pela crise dos rohingyas.

São as segundas eleições desde 2011, quando foi dissolvida a junta militar que controlou o país por meio século.

Cada eleitor deve votar para "escrever sua própria história (...) a história de nosso país", declarou Aung San Suu Kyi no Facebook, chamando a população a ir às urnas apesar da pandemia do coronavírus.

Com mais de 60.000 casos confirmados e quase 1.400 mortes, a situação no país é uma das mais preocupantes no sudeste asiático, e muitas vozes pediram, em vão, às autoridades que adiassem as eleições.

Apesar da pandemia, havia longas filas de espera em várias sessões eleitorais em Yangon, onde viseiras, máscaras e álcool em gel eram distribuídos.

Em 2015, o partido de Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia (NLD), obteve uma vitória esmagadora, mas foi forçado a dividir o poder com o ainda poderoso Exército.

As Forças Armadas controlam três ministérios principais - Interior, Defesa e Fronteiras - e a Constituição concede-lhes 25% dos assentos no Parlamento.

Desta vez, o sucesso da NLD deverá ser menos claro devido ao surgimento de dezenas de novos partidos, mas também ao fracasso da "dama de Yangon" em alcançar a paz com várias minorias rebeldes e seus maus resultados no setor de saúde e na luta contra a pobreza.

Eleições do apartheid, denuncia ONG

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse esperar "uma eleição pacífica, ordenada e confiável".

No entanto, a legitimidade das eleições está em questão. A votação em grande parte do estado de Rakain, no noroeste, onde a violência entre o Exército e uma facção rebelde aumentou nos últimos dois anos, foi cancelada por razões de segurança.

Para alguns, é uma forma de silenciar os partidos étnicos que poderiam vencer na região.

Os 600.000 muçulmanos rohingyas que permaneceram no país, metade dos quais estão em idade de votar, não poderão ir às urnas porque continuam a ter a cidadania birmanesa negada.

No total, quase dois milhões de pessoas estão privadas dela no país de 37 milhões de eleitores.

Essas exclusões podem alimentar a violência política e os conflitos armados, já numerosos, alertam os especialistas.

"São eleições do apartheid", denuncia a ONG Birmania Campaign UK.

De acordo com a organização Forum-Asia, "a exclusão das comunidades mais vulneráveis" da votação mostra que "a promessa de democracia não se concretizou", apesar da chegada ao poder de Aung San Suu Kyi.

Passiva ao drama dos rohingyas

Ainda muito admirada em Mianmar, especialmente entre a maioria étnica dos bamar, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991 caiu em desgraça fora das fronteiras do país.

Suu Kyi se tornou pária no cenário internacional, após ser acusada de passividade no drama dos muçulmanos rohingyas, uma etnia do noroeste do país que desde 2017 foi forçada ao exílio em massa por causa dos excessos do Exército. Centenas de milhares de rohingyas se refugiaram no vizinho Bangladesh.

A crise levou Mianmar a ser acusada de "genocídio" perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), o órgão judicial mais importante da ONU.

Aung San Suu Kyi viajou para Haia, sede do tribunal, para negar as "intenções genocidas" do governo.

Os resultados oficiais das eleições levarão dias para serem anunciados. Uma vez empossados, os parlamentares elegerão o presidente birmanês.

A Constituição impede Aung San Suu Kyi de concorrer a esse cargo por ser casada no exterior. Ela poderia ser nomeada "conselheira especial de Estado", cargo criado sob medida para lhe permitir liderar o país.

(com informações da AFP)