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Quatro adolescentes são acusados de envolvimento na decapitação de professor francês

Quatro adolescentes são acusados de envolvimento na decapitação de professor francês - Bertrand Guay/AFP
Quatro adolescentes são acusados de envolvimento na decapitação de professor francês Imagem: Bertrand Guay/AFP

26/11/2020 18h06

Pouco mais de um mês após a decapitação do professor francês Samuel Paty, em 16 de outubro numa cidade nos arredores de Paris, quatro adolescentes com idades entre 13 e 14 anos, incluindo uma menina, foram formalmente acusados de envolvimento no caso.

O assassino foi morto pela polícia logo após o crime, mas três garotos estão sendo considerados cúmplices por terem ajudado o agressor a identificar a vítima, enquanto uma jovem é apontada como iniciadora da campanha de difamação lançada contra Paty nas redes sociais.

Segundo policiais, os três colegiais são acusados de "cumplicidade em assassinato terrorista". Eles indicaram quem era Paty ao asilado checheno Abdoullakh Anzorov, quando o assassino procurava a vítima nos arredores da escola onde o professor de história e geografia trabalhava. Os jovens teriam indicado quem era o alvo em troca de uma quantia em dinheiro estimada em ? 300 a ? 350.

A menina é uma das alunas da vítima, que está sendo acusada de "calúnia". A garota havia criticado a exibição das caricaturas do profeta Maomé pelo professor durante uma aula sobre liberdade de expressão. A reclamação da jovem levou seu pai, Brahim Chnina, a fazer um vídeo com ameaças a Paty.

Na gravação, que viralizou nas redes sociais, o pai da adolescente chamou o professor de "bandido", informando o número de seu telefone celular e o endereço da escola. No entanto, a investigação confirmou que a jovem não estava no estabelecimento no dia em que as charges foram mostradas aos alunos e que o estopim do crime pode ter sido motivado por um falso testemunho da adolescente.

O pai dela, assim como Abdelhakim Sefrioui, um líder religioso que o apoiou na campanha de difamação, também são acusados de cumplicidade no ataque terrorista.

14 pessoas processadas

Os quatro adolescentes foram detidos por ordem dos juízes antiterroristas e posteriormente libertados sob controle judicial, depois de serem apresentados a um magistrado. Até agora, 14 pessoas são processadas no caso.

Samuel Paty, um professor de 47 anos, foi assassinado quando saía do trabalho, dias depois de mostrar a seus alunos várias charges do profeta Maomé. Ele foi decapitado por Abdoullakh Anzorov, um extremista russo-checheno de 18 anos, que foi morto pelas forças de segurança minutos depois de cometer seu crime.

O caso relançou o debate sobre a liberdade de expressão na França. Paty havia mostrado as caricaturas do profeta por ocasião da abertura do julgamento de 14 cúmplices no ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo, em 2015. Doze pessoas morreram no atentado, incluindo desenhistas históricos da publicação. Na época, os terroristas, que foram mortos em seguida pela polícia, diziam estar se vingando da publicação de caricaturas do profeta Maomé.

(Com informações da AFP)

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