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UE e EUA pedem à China libertação imediata de Zhang Zhan, jornalista que denunciou pandemia em Wuhan

29/12/2020 18h16

Os Estados Unidos e a União Europeia pediram nesta terça-feira (29) que a China liberte imediatamente a "jornalista cidadã" Zhang Zhan, presa por cobrir o início da pandemia de Covid-19 em Wuhan. O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, acusou ainda Pequim de esconder o surto de coronavírus.  

Os Estados Unidos e a União Europeia pediram nesta terça-feira (29) que a China liberte imediatamente a "jornalista cidadã" Zhang Zhan, presa por cobrir o início da pandemia de Covid-19 em Wuhan. O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, acusou ainda Pequim de esconder o surto de coronavírus.  

"Pedimos (...) sua libertação imediata e incondicional", disse em um comunicado o secretário de Estado do presidente dos Estados Unidos, Mike Pompeo. "O Partido Comunista Chinês mostrou mais uma vez que fará de tudo para silenciar quem questionar a linha oficial do partido, inclusive em informações cruciais de saúde pública", acrescentou o representante de Donald Trump, que se prepara para deixar o cargo.

O porta-voz da política externa da União Europeia (UE), Peter Stano, observou em nota que, de acordo com "fontes confiáveis, Zhang foi submetida a tortura e maus-tratos durante sua detenção, e sua saúde se deteriorou seriamente". Em um comunicado, ele frisou que "é fundamental que ela receba a assistência médica adequada", e pediu a "libertação imediata" da jornalista e de outros defensores dos direitos humanos presos.

Bruxelas exigiu ainda a libertação de Yu Wensheng, um advogado defensor dos direitos humanos, preso em 13 de dezembro, e dos ativistas Li Yuhan, Huang Qi, Ge Jueping, Qin Yongmin, Gao Zhisheng, Ilham Tohti, Tashi Wangchuk, Wu Gan e Liu Feiyue. A declaração da UE ocorre enquanto o bloco finaliza um acordo de investimento com a China, após sete anos de árduas negociações, apesar das preocupações com o histórico de violações dos direitos humanos de Pequim.

"Jornalista cidadã"

Zhang, uma ex-advogada detida desde maio, foi condenada a quatro anos de prisão. Ele foi presa por divulgar na internet imagens sobre a Covid-19 no início da pandemia, quando o vírus ainda era considerado como uma nova doença misteriosa.

Os relatos de Zhang desafiaram o discurso oficial de Pequim - que havia indicado que o governo havia derrotado o vírus - questionando a capacidade dos hospitais e o acesso a testes nos primeiros dias da pandemia. Ela mostrou ainda os ataques que sofreu das autoridades chinesas quando filmou com seu celular.

A ex-advogada de 37 anos, que se apresenta como "jornalista cidadã", foi condenada por um tribunal de Xangai por "provocar disputas e problemas".

"Mentir é uma característica dos regimes autoritários"

O secretário de Estado norte-americano, crítico declarado de Pequim, aproveitou a prisão de Zhang para atacar novamente a China por seu papel na origem da pandemia, que já deixou mais de 1,7 milhão de mortos em todo o mundo. Pompeo afirmou que a censura da jornalista por Pequim era mais uma evidência de como um "surto controlável se transformou em uma pandemia global mortal".

"Mentir é uma característica, não uma falha dos regimes autoritários", enfatizou o secretário de Estado. "O medo do governo chinês da transparência e sua repressão contínua das liberdades fundamentais são um sinal de fraqueza, não de força, e uma ameaça para todos nós", acrescentou.