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EUA : 10 ex-chefes do Pentágono defendem transição presidencial pacífica

04/01/2021 14h39

Dez ex-secretários de Defesa norte-americanos se manifestaram contra qualquer envolvimento das Forças Armadas na atual transição política entre Donald Trump e Joe Biden. A declaração conjunta foi feita em artigo publicado no domingo (3), pelo jornal "Washington Post".

Dez ex-secretários de Defesa norte-americanos se manifestaram contra qualquer envolvimento das Forças Armadas na atual transição política entre Donald Trump e Joe Biden. A declaração conjunta foi feita em artigo publicado no domingo (3), pelo jornal "Washington Post".

Os dez ex-chefes da Defesa que assinaram o documento, respectivamente Ashton Carter, Leon Panetta, William Perry, Dick Cheney, William Cohen, Donald Rumsfeld, Robert Gates, Chuck Hagel, James Mattis e Mark Esper, convocaram o Pentágono a se comprometer para "uma transferência pacífica do poder".

A publicação ocorre no momento em que o Congresso norte-americano deve certificar, nesta quarta-feira (6), que o democrata Joe Biden venceu a eleição presidencial em novembro e deve suceder ao republicano Donald Trump em 20 de janeiro.

Mas o atual presidente continua a afirmar que foi ele quem ganhou a eleição e que a vitória de Joe Biden, reconhecida pelo grande eleitorado, foi obtida com fraude. Várias dezenas de apelações do campo de Trump contra os resultados das eleições já foram rejeitadas pelos tribunais norte-americanos nos últimos meses.

Consequências sérias

"Os esforços para envolver as forças armadas dos EUA na resolução de disputas eleitorais nos levariam a um território perigoso, ilegal e inconstitucional", dizem os signatários, dois dos quais, James Mattis e Mark Esper, foram nomeados para o Pentágono por Donald Trump. 

Eles afirmam que os oficiais que procuram envolver os militares no processo de transição podem enfrentar sérias consequências profissionais e jurídicas.

Os signatários do apelo publicado no Washington Post, que vêm dos dois principais partidos políticos dos Estados Unidos, pedem ainda ao secretário de Defesa em exercício, Christopher Miller, e a todos os funcionários do Pentágono, que facilitem a transição para a administração do presidente eleito Biden.

"Eles também devem se abster de qualquer ação política que possa prejudicar os resultados eleitorais ou comprometer o sucesso da nova equipe", acrescentaram.

Precedente da guerra civil norte-americana

Com exceção da eleição de Abraham Lincoln em 1860, seguida da secessão dos estados escravistas do sul e da guerra civil, os Estados Unidos têm um número recorde de transições pacíficas, observam os ex-secretários de Defesa. "Este ano não deve ser uma exceção", insistem.

Os ex-chefes do Pentágono não citam especificamente o motivo que os levou a intervir publicamente. Mas, em Washington, a classe política se sentiu recentemente incomodada por reportagens da mídia norte-americana segundo as quais a possibilidade de instituir a lei marcial - que não é usada desde a Segunda Guerra mundial - teria sido levantada durante uma reunião na Casa Branca. A informação foi negada por Donald Trump.

Com informações da AFP