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Uma das caixa-pretas do Boeing da Sriwijaya Air que caiu na Indonésia é resgatada

12/01/2021 12h08

Equipes de resgate recuperaram, nesta terça-feira (12), uma das caixas-pretas do Boeing 737 que desapareceu no último fim de semana na costa da Indonésia com 62 pessoas a bordo. O material deve ajudar os investigadores a entender as causas do acidente.

Equipes de resgate recuperaram, nesta terça-feira (12), uma das caixas-pretas do Boeing 737 que desapareceu no último fim de semana na costa da Indonésia com 62 pessoas a bordo. O material deve ajudar os investigadores a entender as causas do acidente.

"O FDR (Flight Data Recorder, que registra os parâmetros de voo) foi encontrado", afirmou o ministro dos Transportes, Budi Karya Sumadin a jornalistas.

Segundo ele, os investigadores detectaram um sinal forte no mar nesta terça-feira e enviaram os mergulhadores. A caixa-preta foi encontrada após uma hora de buscas. "Os dados podem estar disponíveis dentro de dois a cinco dias", disse Soerjanto Tjahjono, chefe da Agência de Segurança de Transportes do país.

O Boeing 737-500 da Sriwijaya Air caiu abruptamente no sábado (9) a cerca de 10.000 pés (3.000 metros) em menos de um minuto, no mar de Java. As autoridades não deram pistas sobre as possíveis causas do acidente, que ocorreu poucos minutos após a decolagem da aeronave.

Cerca de 3.600 pessoas estão trabalhando para resgatar o mais rápido possível os restos mortais das vítimas, além dos destroços do avião e da segunda caixa-preta do aparelho. Um robô subaquático e radares auxiliam os mergulhadores. As imagens divulgadas pela Marinha do país mostram os mergulhadores nadando em meio a escombros, com dezenas de barcos e helicópteros no local.

Primeira vítima identificada

A polícia confirmou a identidade da primeira vítima, Okky Bisma, um tripulante de 29 anos, graças à impressão digital de uma de suas mãos, que foi recuperada. "Descanse em paz lá em cima, meu querido, e espere por mim (...) no paraíso", escreveu a esposa Aldha Refa no Instagram.

Várias dezenas de sacos foram preenchidos com restos mortais coletados no mar e levados para um hospital da polícia para identificação.

"Ainda não conseguimos aceitar", diz Inda Gunawan, referindo-se ao desaparecimento de seu irmão, Didik Gunardi, que estava a bordo do Boeing. "Nossa família ainda está esperando por um milagre e que ele esteja vivo", acrescentou.

As autoridades pediram aos parentes das vítimas que doem amostras de DNA para ajudar na identificação. No total, 62 pessoas, incluindo 10 crianças - todas indonésias - estavam a bordo do avião com destino a Pontianak, cidade da ilha de Bornéu.

Avião intacto ao atingir a água

Nurcahyo Utomo, investigador da Agência de Segurança de Transporte da Indonésia (NTSC), disse que a tripulação não emitiu nenhum sinal de socorro antes do acidente. Dados preliminares sugerem que é "muito provável" que o avião estivesse intacto quando atingiu a água. 

O chefe dos serviços de resgate, Soerjanto Tjahjono, também defendeu essa possibilidade nesta terça-feira, destacando que os escombros da aeronave foram encontrados uma área limitada, em vez de estarem espalhados, como ocorre no caso de uma explosão em voo. "O tamanho (da área) corresponde à hipótese de que o avião não explodiu antes de chegar à água", disse.

Segundo especialistas em aviação, a aeronave desviou drasticamente de sua trajetória antes de cair de forma brusca. Eles afirmam que a investigação das causas do acidente pode levar meses.

Este é o primeiro acidente fatal de Sriwijaya Air, desde a criação da empresa, em 2003. No entanto, o setor de transporte aéreo da Indonésia passou por várias tragédias nos últimos anos e algumas companhias foram proibidas de viajar para a Europa até 2018.

Em em outubro de 2018, 189 pessoas morreram na queda de um Boeing 737 MAX operado pela Lion Air que caiu no mar de Java, doze minutos após decolar de Jacarta. Em março de 2019, um outro acidente com o mesmo modelo de aeronave deixou 157 mortos. Desde então, esse tipo de avião está sendo testado e não vem realizando mais voos até que sua segurança volte a ser comprovada.

O avião de Sriwijaya não pertence à polêmica nova geração do Boeing 737 MAX, mas é um "clássico" Boeing 737.

(Com informações da AFP)