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Biden reverte medidas de Trump e volta ao Acordo do Clima de Paris; entidades comemoram

Biden reverte medidas de Trump e volta ao Acordo do Clima de Paris; entidades comemoram - Drew Angerer/Getty Images
Biden reverte medidas de Trump e volta ao Acordo do Clima de Paris; entidades comemoram Imagem: Drew Angerer/Getty Images

20/01/2021 23h07

Horas depois de assumir a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cumpriu a promessa de reverter uma série de medidas tomadas pelo antecessor, Donald Trump. No total, foram 17 decretos assinados pelo novo mandatário, entre eles o que determina o retorno do país ao Acordo do Clima de Paris, do qual Washington se retirou definitivamente em novembro de 2020.

Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Washington

"Vamos combater as mudanças climáticas de uma forma que não tínhamos tentado até agora", disse Biden em sua primeira declaração aos jornalistas na Casa Branca, após assinar os decretos, na noite desta quarta-feira (20).

A decisão de Biden, que entra em vigor em 30 dias, foi celebrada por organizações ambientais do mundo todo. A Climate Reality festejou "um grande passo". "Estamos gratos pelo compromisso do governo Biden com o clima no seu primeiro dia. O verdadeiro trabalho começa agora".

No Brasil, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, disse que "os Estados Unidos viraram a página do negacionismo e do populismo. Os novos rumos da política americana são um sopro de esperança e precisam se transformar em ações o quanto antes". Uma nota divulgada pela entidade lembra que o país é segundo maior emissor mundial de gases de efeito estufa, portanto possui "uma dívida ambiental histórica com o planeta ? que se agravou ao longo dos últimos quatro anos do governo Trump".

Repercussão

O acordo foi assinado em 2015, sob a égide da ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou que "com todos os países profundamente envolvidos, nós temos a real oportunidade de prevenir a catástrofe climática".

O governo francês também comemorou o anúncio. O presidente Emmanuel Macron publicou no twitter que "juntos poderemos vencer os desafios do nosso tempo (...) e mudar os rumos climáticos, agindo pelo nosso planeta". "Welcome back!", disse Macron.

Em Bruxelas, a comissária europeia Ursula Von der Leyen frisou que a decisão de Biden é "um ponto inicial para a nossa cooperação renovada". Analistas apontam que, no primeiro momento, o foco da diplomacia do presidente democrata deve ser o fortalecimento das relações com os europeus, fragilizadas durante os anos Trump.

No contexto interno, porém, o retorno ao Acordo de Paris não é consensual. Um grupo de senadores republicanos já pediu para o presidente que apresente ao Congresso o seu projeto de retorno ao tratado, para que os parlamentares o "examinem". O senador Steve Daines, do estado de Montana, declarou que Biden não pode inserir os Estados Unidos em um acordo internacional sem uma maioria de pelo menos dois terços de apoio do Senado.

Medidas concretas

Além do Acordo de Paris, a lista de decretos assinados por Biden inclui outras medidas importantes em favor do meio ambiente: a revogação da permissão de construção do oleoduto Keystone XL, entre o Canadá e o estado americano de Nebraska, e uma moratória da captura de petróleo e gás natural de uma reserva natural no Ártico, cuja exploração o governo Trump havia recentemente autorizado.

Durante todo o seu mandato, o presidente republicano promoveu o desenvolvimento das energias fósseis, como o carvão, em choque com as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e na contramão do que recomendam os cientistas especializados no combate às mudanças climáticas.

Já Biden prometeu desde a campanha colocar o país no caminho para alcançar a neutralidade de carbono até 2050 - o que significa medidas concretas e ambiciosas para diminuir drasticamente as emissões americanas.

Outros temas

O decretos assinados por Biden em seu primeiro dia governo contemplam medidas para combater a pandemia de coronavírus, a começar pela anulação da saída de Washington da Organização Mundial da Saúde (OMS). O presidente também determinou o uso obrigatório de máscaras de proteção nos prédios federais e pelos funcionários do governo, nos transportes entre estados.

No tema da imigração, está suspensa a construção do polêmico muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, medida enfatizada pelo ex-presidente republicano em cada ocasião em que falava sobre a questão. Da mesma forma, o bloqueio de entrada no território americano de cidadãos de diversos países muçulmanos também está cancelado.

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