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Como em tempos de guerra: Alemanha decide reforçar controle na fronteira com a França

28/02/2021 16h20

Berlim anunciou que vai reforçar o controle da fronteira terrestre franco-alemã para tentar conter o avanço da pandemia de Covid-19. Os viajantes, inclusive os trabalhadores do leste da França que transitam diariamente entre os dois países, vão ter que apresentar um teste anticovid negativo. A decisão foi criticada por Paris. 

Berlim anunciou que vai reforçar o controle da fronteira terrestre franco-alemã para tentar conter o avanço da pandemia de Covid-19. Os viajantes, inclusive os trabalhadores do leste da França que transitam diariamente entre os dois países, vão ter que apresentar um teste anticovid negativo. A decisão foi criticada por Paris. 

Cerca de 16 mil trabalhadores da Moselle, no leste da França, atravessam diariamente a fronteira para trabalhar na Alemanha. Mas a partir da noite desta segunda-feira (1°), eles terão que apresentar um teste negativo anticovid realizado antes do trajeto. As autoridades ainda discutem para saber se esse certificado deverá ser feito, no máximo, 48 ou 72 horas antes da viagem oriunda dessa região, que registra uma recrudescência de novos casos das variantes da Covid-19. 

A decisão, que vinha sendo cogitada há alguns dias, não agradou Paris. O secretário francês encarregado das Relações Europeia, Clément Beaune, disse claramente que se opõe à medida que, segundo ele, representaria praticamente um fechamento total da fronteira com a Alemanha, como chegou a ser feito no início da pandemia.

Berlim afirma que se trata apenas de um reforço dos controles e que isso não significa a instalação de um sistema de controle fronteiriço sistemático, nem de um fechamento total, como já é o caso com o República Tcheca e a região austríaca do Tirol.

"A fronteira não será fechada", insistiu um porta-voz do ministério alemão do Interior. Sem dar mais detalhes, Berlim também informou que os moradores da região que precisam fazer a travessia diariamente poderiam beneficiar de um tratamento diferenciado.

Áustria se sente discriminada

Essa possível brecha aberta diante das críticas das autoridades franceses não agradou Viena, que vê na postura de Berlim diante de Paris um sistema de dois pesos, duas medidas. "Há na Alemanha, em função das direções geográficas, diferenças de rigor em termos de fronteira", alfinetou o chanceler austríaco Sebastian Kurz, lembrando que as razões que levaram o governo alemão a impor um controle mais rígido para o leste da França são as mesmas que levaram a um endurecimento da fronteira com o Tirol, na Áustria.

Paris ainda espera que a decisão de Berlim seja atenuada e reuniões estão previstas entre ambas as partes nesta segunda-feira (1°).