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China anuncia meta de crescimento econômico mais modesta na abertura do Congresso Nacional do Povo

05/03/2021 09h37

A reunião anual do Congresso Nacional do Povo da China foi aberta nesta sexta-feira (5), em Pequim, com o tradicional discurso do primeiro-ministro do país, Li Keqiang. O líder anunciou um objetivo de crescimento de 6% para 2021, além de um aumento de 6,8% do orçamento militar e uma mensagem destinada a Hong Kong.

A reunião anual do Congresso Nacional do Povo da China foi aberta nesta sexta-feira (5), em Pequim, com o tradicional discurso do primeiro-ministro do país, Li Keqiang. O líder anunciou um objetivo de crescimento de 6% para 2021, além de um aumento de 6,8% do orçamento militar e uma mensagem destinada a Hong Kong.

Stéphane Lagarde, correspondente da RFI em Pequim

"Realizar o sonho da grande renovação da nação chinesa": com essas palavras, Li Keqiang encerrou um discurso de uma hora diante do Congresso Nacional do Povo. Em pé diante da estrela vermelha do Grande Palácio do Povo, o premiê foi ovacionado pela plateia, onde as roupas e penteados dos representantes das minorias étnicas destoavam dos ternos escuros.

Keqiang quis transmitir uma mensagem de força e confiança à "elite vermelha" e à opinião pública chinesa, pela economia que conseguiu se restabelecer após ter sido a primeira a enfrentar a pandemia de Covid-19. Apesar das incertezas relacionadas à crise sanitária em todo o mundo, a China fixou um objetivo de 6% de crescimento, 2% abaixo do que previam os analistas.

"Esse ano, o desenvolvimento do país enfrentará vários riscos", reconheceu o premiê diante dos 3 mil membros do Partido Comunista, com o rosto parcialmente coberto por máscara. No entanto, "a base econômica continua a justificar o otimismo", reiterou Keqiang.

Keqiang demonstra um otimismo cauteloso, já que a China gastou 400 bilhões de yuans (cerca de R$ 351 bilhões) na luta contra o coronavírus com medidas sem precedentes, como o rígido lockdown. Mas, embora a economia chinesa tenha entrado nos eixos, a luta contra a Covid-19 não terminou, insistiu o primeiro-ministro. Por isso, Pequim convida os governos locais a puxarem o freio nos gastos públicos.

No ano passado, a China viu seu déficit cair a 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse número evoluirá a 3,2%, favorecendo programas de apoio a pequenas e médias empresas, além dos empregos. Cerca de 11 milhões de vagas devem ser abertas em 2021, com um índice de desemprego de 5,5%, o mesmo registrado no início da pandemia.

Entre os anúncios importantes, Keqiang também falou da intenção de um aumento da idade legal para a aposentadoria, além do desejo de estabelecer uma "taxa de fecundidade apropriada" - uma maneira de anunciar uma provável mudança na política de controle de nascimentos no país, em vigor desde o fim dos anos 1970.

Controle reforçado das eleições em Hong Kong

O primeiro-ministro também enviou uma mensagem a Hong Kong: "Continuaremos aplicando plenamente com precisão a política de um país, dois sistemas", disse o líder, que anunciou uma "melhora da Constituição" do território autônomo. "Impediremos que forças exteriores interfiram em Hong Kong", frisou.

As afirmações de Keqiang reforçam o que já havia dito o vice-presidente do Congresso Nacional do Povo, Wang Chen, favorável a uma reforma do código eleitoral do território e um controle reforçado dos candidatos. O porta-voz da instituição, Zhang Yesui, também declarou nesta sexta-feira que o sistema eleitoral de Hong Kong deveria ser transformado para colocar em prática o desejo do presidente chinês, Xi Jinping de que os "patriotas", ou seja, os políticos pró-Pequim, governem o território, conforme ele manifestou em janeiro. 

As declarações provocaram reações da União Europeia, que advertiu o governo chinês nesta sexta-feira sobre uma eventual reforma do sistema eleitoral de Hong Kong, um objetivo que "contradiz o pluralismo e às liberdades fundamentais", segundo o chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell.

"A União Europeia está pronta para tomar medidas suplementares em resposta à toda nova deterioração grave das liberdades políticas e dos direitos humanos em Hong Kong, que seria contrária às obrigações nacionais e internacionais da China", afirmou.