PUBLICIDADE
Topo

"Detesto tapete vermelho", diz diretor romeno vencedor do Urso de Ouro na Berlinale 2021

05/03/2021 17h21

Ao realizar a primeira Berlinale online em 2021, a pandemia "livrou o cinema de toda essa besteira de tapete vermelho", comemorou o cineasta romeno Radu Jude, de 43 anos, após receber nesta sexta-feira (5) o Urso de Ouro pelo satírico "Bad Luck Banging and Looney Porn", filme rodado durante a epidemia de coronavírus, que traz uma crítica corrosiva da sociedade contemporânea. O Festival Internacional de Cinema de Berlim abre a temporada de festivais europeus com outra novidade: o prêmio de interpretação "sem-gênero" (gender neutral) para a alemã Maren Eggert.

Ao realizar a primeira Berlinale online em 2021, a pandemia "livrou o cinema de toda essa besteira de tapete vermelho", comemorou o cineasta romeno Radu Jude, de 43 anos, após receber nesta sexta-feira (5) o Urso de Ouro pelo satírico "Bad Luck Banging and Looney Porn", filme rodado durante a epidemia de coronavírus, que traz uma crítica corrosiva da sociedade contemporânea. O Festival Internacional de Cinema de Berlim abre a temporada de festivais europeus com outra novidade: o prêmio de interpretação "sem-gênero" (gender neutral) para a alemã Maren Eggert.

"Acho muito bom que o festival tenha feito algo para poder exibir filmes apesar da pandemia, que normalmente impede encontros e exibições nos teatros e salas de cinema", disse o diretor de "Bad Luck Banging and Looney Porn". "Não é o ideal, mas não vivemos em um mundo ideal", continuou ele. Em todo o mundo, os festivais de cinema foram forçados a migrar para plataformas online (como Sundance nos Estados Unidos, a Berlinale na Alemanha, o Gérardmer na França), mas alguns se recusaram a fazê-lo.

O próximo grande evento do mundo do cinema é justamente o Festival de Cannes, na França, cujos organizadores excluíram a possibilidade de fazer um evento online, favorecendo os encontros físicos e a "magia da sala de cinema", e que ainda esperam poder organizar o festival entre 6 e 17 de julho deste ano.

Mas, ao contrário de muitos amantes da 7ª arte, o diretor romeno, cujo filme coroado em Berlim é uma crítica contundente da hipocrisia social, tem se esforçado para ver os lados positivos do fechamento dos cinemas. "Não sou um purista do telão. Prefiro, mas a maioria dos filmes que vi, foi no meu computador. Eu nunca gostei do tapete vermelho e todas essas besteiras", continuou.

"Eu acho que a essência do cinema é a seriedade" e não "o tapete vermelho, os vestidos chamativos, os trajes e o glamour... Eu queria me livrar disso, o cinema não tem nada a ver com esse tipo de palhaçada", frisou o diretor romeno consagrado na edição 2021 da Berlinale.

Prêmio sem gênero: nada de "melhor ator" ou "melhor atriz"

A alemã Maren Eggert, de 47 anos, ganhou o primeiro prêmio de interpretação "sem gênero" ["gender neutral", na expressão em inglês], que consagra indiferentemente melhores atores ou atrizes, neste prêmio criado pela Berlinale em 2021 especialmente para promover os debates sobre igualdade de gênero.

Segundo o júri desta edição do evento, que participou online do festival, "Bad Luck Banging and Looney Porn", o filme que levou o prêmio mais cobiçado, o Urso de Ouro, é "tão elaborado quanto selvagem". A trama segue os passos de um professor romeno de ensino médio, cuja vida vira de cabeça para baixo pelo vazamento de "um vídeo íntimo".

O longa-metragem "provoca o espírito do nosso tempo [Zeitgeist, na famosa expressão alemã] e abala as nossas convenções sociais e cinematográficas", argumentou um dos membros do júri, o cineasta israelita Nadav Lapid. "É um filme elaborado mas também selvagem, inteligente e infantil, geométrico e vibrante: não deixa ninguém indiferente", acrescentou.

Na disputa entre outras 14 produções, a película de Radu Jude, já premiado com o Urso de Prata de melhor direção em 2015 na Berlinale por "Aferim!", apresenta-se como uma crítica social ácida. Aberta por uma sequência de vários minutos de pornografia amadora, a história apresenta uma professora pega de surpresa pelo vazamento de um vídeo íntimo seu, filmado junto com seu companheiro.

O ponto de partida do filme, uma coprodução entre Romênia, Luxemburgo, Croácia e República Tcheca, retrata o longo passeio da personagem pelas ruas de sua cidade, uma colcha de retalhos de imagens que vão desde arquivos da ditadura comunista a alegorias românticas, seguidos por cenas de um julgamento simulado da professora diante de pais de alunos.

Brasil bem representado

O Brasil se destacou tendo duas produções nesta grande vitrine internacional do cinema, com o longa-metragem "A Última Floresta", de Luiz Bolognesi, documentário filmado numa tribo yanomami no norte da Amazônia, com roteiro que assina com o xamã e ativista Davi Kopenawa. A película foi selecionada para a competição oficial na Mostra Panorama.

Mas o país também esteve presente na Berlinale Series, formato que vem crescendo exponencialmente no festival. O Brasil foi representado pela primeira série nacional a ser exibida na Berlinale, "Os Últimos Dias de Gilda", do diretor Gustavo Pizzi.

(Com AFP)