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Crise na Turquia: moeda despenca e bolsa de valores de Istambul assusta mercado

22/03/2021 16h00

Nesta segunda-feira (22), a moeda turca despencou 17% nas bolsas da Ásia, antes de registrar uma pequena recuperação. A Bolsa de Valores de Istambul também foi pega na turbulência: as cotações foram suspensas duas vezes pela manhã, após uma queda de mais de 6% do índice principal. Os mercados reagiram negativamente à demissão no fim de semana do presidente do Banco Central da Turquia, que foi criticado pelo presidente Erdogan por elevar as taxas de juros.

Nesta segunda-feira (22), a moeda turca despencou 17% nas bolsas da Ásia, antes de registrar uma pequena recuperação. A Bolsa de Valores de Istambul também foi pega na turbulência: as cotações foram suspensas duas vezes pela manhã, após uma queda de mais de 6% do índice principal. Os mercados reagiram negativamente à demissão no fim de semana do presidente do Banco Central da Turquia, que foi criticado pelo presidente Erdogan por elevar as taxas de juros.

Anne Andlauer, correspondente da RFI em Istambul

A Turquia parece estar passando por uma crise de confiança no cenário internacional, tanto econômica quanto política. Em novembro do ano passado, quando Recep Tayyip Erdogan nomeou Naci Agbal, um financista respeitado, para chefiar o Banco Central, os investidores internacionais começaram a esperar um retorno a um ambiente mais estável, previsível e, digamos, mais racional. A demissão de Naci Agbal no final da semana passado provou que os otimistas estavam errados. As consequências foram imediatas: a libra caiu.

Essa situação ilustra não apenas o modo de governança na Turquia hoje, com todas as instituições sob o controle do presidente turco Recep Tayip Erdogan, incluindo o supostamente independente Banco Central. Ela também revela a margem de manobra limitada de Erdogan, que usa todas as suas energias para ser reeleito em 2023.

Erdogan envia mensagem ambígua aos mercados

No campo econômico, por um lado, Recep Tayyip Erdogan apresenta um vasto programa de reformas com o objetivo de tranquilizar os mercados. Por outro lado, no entanto, ele está minando a confiança dos investidores ao demitir um diretor do banco central que buscava uma política de aumento das taxas para combater a inflação.

Politicamente, Erdogan está de olho na Europa ao anunciar reformas para melhorar a questão os direitos humanos, muito criticada por Bruxelas. Mas as prisões de oponentes estão aumentando. O partido turco pró-curdo está ameaçado de fechamento e a Turquia se retirou da convenção do Conselho da Europa para combater a violência contra as mulheres, para citar apenas os acontecimentos que ocorreram na semana passada.

A Turquia é cada vez mais vista como um país imprevisível, tanto para estrangeiros quanto para os próprios turcos.