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Biden sanciona Rússia por ciberataques e interferência eleitoral; Moscou promete resposta

O presidente Joe Biden assinou uma ordem executiva que amplia as restrições aos bancos americanos que negociam dívidas emitidas pelo governo russo, expulsa dez diplomatas, incluindo supostos espiões, e aplica sanções a 32 pessoas que teriam interferido nas eleições de 2020, segundo a Casa Branca - Saul Loeb/AFP
O presidente Joe Biden assinou uma ordem executiva que amplia as restrições aos bancos americanos que negociam dívidas emitidas pelo governo russo, expulsa dez diplomatas, incluindo supostos espiões, e aplica sanções a 32 pessoas que teriam interferido nas eleições de 2020, segundo a Casa Branca Imagem: Saul Loeb/AFP

15/04/2021 13h52

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (15) sanções financeiras contra a Rússia e a expulsão de dez diplomatas russos, em resposta a ciberataques e à interferência de Moscou nas eleições presidenciais de 2020. O governo russo criticou as medidas contrárias aos interesses de Moscou e evocou uma retaliação "inevitável".

O presidente Joe Biden assinou uma ordem executiva que amplia as restrições aos bancos americanos que negociam dívidas emitidas pelo governo russo, expulsa dez diplomatas, incluindo supostos espiões, e aplica sanções a 32 pessoas que teriam interferido nas eleições de 2020, segundo a Casa Branca.

O decreto permitirá voltar a punir a Rússia, com "consequências estratégicas e econômicas, caso continue ou promova uma escalada de ações desestabilizadoras internacionais", advertiu a Casa Branca em um comunicado. A declaração aponta os "esforços de Moscou para minar a condução de eleições democráticas livres e justas e instituições democráticas nos Estados Unidos e em seus aliados".

O texto faz referência às alegações de que as agências de inteligência russas organizaram campanhas persistentes de desinformação e outros golpes baixos durante as corridas eleitorais de 2016 e 2020, em parte para ajudar a candidatura de Donald Trump.

A Casa Branca explica que as sanções também respondem a "atividades cibernéticas maliciosas contra os Estados Unidos e seus aliados", em referência ao ataque de hackers de um programa da companhia SolarWinds, que permitiu o acesso a sistemas informáticos do governo americano no ano passado. Também chama a atenção para os "ataques" extraterritoriais da Rússia contra dissidentes e jornalistas, bem como para o enfraquecimento da segurança em países importantes para a segurança nacional dos Estados Unidos.

Junto com União Europeia, Austrália, Reino Unido e Canadá, o Departamento do Tesouro americano sancionou oito indivíduos e entidades associadas à ocupação russa da Crimeia na Ucrânia.

Em Bruxelas, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expressou seu apoio e "solidariedade" às sanções impostas pelos Estados Unidos devido às "atividades desestabilizadoras" da Rússia, em particular na Ucrânia e na Geórgia.

'Resposta inevitável'

Em contrapartida, a Rússia prometeu uma resposta "inevitável" às novas sanções decretadas por Washington e convocou o embaixador americano em Moscou para uma "conversa difícil".

"Os Estados Unidos não estão prontos para aceitar a realidade objetiva de um mundo multipolar, sem hegemonia americana (...) Esse comportamento agressivo receberá uma forte resposta", declarou a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova.

"Washington deve entender que o preço da degradação das relações bilaterais terá que ser pago. A responsabilidade pelo que acontecer será inteiramente dos Estados Unidos", acrescentou.

Zakharova também anunciou que o embaixador americano em Moscou, John Sullivan, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores para "uma conversa que será difícil para o lado americano".

Questionado nesta quinta-feira (15) sobre as novas sanções americanas, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerou que elas "não favorecem" a organização de uma cúpula entre Joe Biden e Vladimir Putin, proposta pela Casa Branca. "Durante a ligação telefônica com o presidente russo, Joe Biden expressou seu desejo de uma normalização das relações russo-americanas. A ação de seu governo atesta o contrário", disse Zakharova.

A respeito desse encontro, uma autoridade americana garantiu nesta quinta que Biden mantém a proposta, "por considerar que uma reunião é crucial para deter a escalada".

"Queremos deixar claro que não temos o desejo de pressionar por uma escalada com a Rússia", insistiu ele, garantindo que Biden havia informado Putin sobre essas represálias durante seu telefonema.

Na mesma conversa, o presidente dos Estados Unidos fez a oferta de uma cúpula "em um terceiro país" e "nos próximos meses".

"Os russos ainda não responderam (...) mas acreditamos que nos próximos meses será crucial para os dois líderes se sentarem para discutir todos os tipos de questões".

Desde que o novo presidente americano assumiu o cargo em janeiro, as relações entre Moscou e Washington se deterioraram rapidamente. O embaixador russo nos Estados Unidos foi convocado de volta depois que Biden afirmou que seu colega era um "assassino".

Com informações da AFP

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