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De luto pela morte do marido, rainha Elizabeth II completa 95 anos

21/04/2021 07h58

A rainha Elizabeth II completa 95 anos nesta quarta-feira (21), ainda de luto pela morte do príncipe Philip. Como era de se esperar, a monarca preferiu não comemorar o aniversário. Ela marcará a data em almoço para membros mais próximos da família, que começa a discutir o futuro da agenda real.

A rainha Elizabeth II completa 95 anos nesta quarta-feira (21), ainda de luto pela morte do príncipe Philip. Como era de se esperar, a monarca preferiu não comemorar o aniversário. Ela marcará a data em almoço para membros mais próximos da família, que começa a discutir o futuro da agenda real.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Não haverá manifestações públicas pelo aniversário da rainha Elizabeth II. Pelo segundo ano consecutivo, estão suspensas as salvas de tiros de canhão no Hyde Park e na Torre de Londres em sua homenagem. No ano passado, a tradição foi cancelada devido à pandemia de Covid-19. Este ano tampouco haverá a divulgação do seu retrato oficial. 

Pela tradição britânica, o aniversário da rainha é marcado ainda uma segunda vez, com festejos mais públicos, em junho, no início verão, para evitar as chuvas. Mas, como em 2020, estes eventos - inclusive a badalada Garden Party, em que Elizabeth II costuma receber mais de 30 mil convidados nos jardins do Palácio de Buckingham - foram cancelados em função da Covid-19. 

Antes mesmo da morte do marido, seu foco já era festejar o centenário do consorte daqui a dois meses. O príncipe Philip morreu aos 99 anos, no último 9 de abril, no Castelo de Windsor, onde permaneceu na maior parte do tempo com a mulher durante a quarentena. É lá que a rainha vai passar o primeiro aniversário sem ele.

Agenda oficial é mantida

Em princípio, a monarca segue com a agenda oficial depois de algumas semanas. O Palácio de Buckingham já confirmou que abrirá, conforme a tradição, a sessão da próxima legislatura do Parlamento no dia 11 de maio, um dos principais compromissos anuais da rainha. Como no ano passado, ela deverá estar acompanhada do filho, o príncipe Charles, herdeiro do trono. Esse parece ser o plano mais imediato.

No médio e longo prazos, Charles e seu filho mais velho, o príncipe William, seu sucessor, devem se reunir para tratar dos compromissos oficiais da monarca e do resto da corte. A ideia é determinar quem serão os integrantes do núcleo da família com agenda e o que farão daqui para frente. 

Não é de hoje Charles defende um núcleo mais enxuto da realeza. A nova equação levará em conta a morte de Philip, patrono de muitos programas de caridade, e o afastamento do príncipe Harry dos afazeres reais, desde que se mudou para a California, onde vive com a mulher, a atriz americana Meghan Markle, e o filho primogênito Archie. Harry, por sinal, deve estar com a rainha no aniversário.

Até lá, Elizabeth II pretende seguir com o seu trabalho enquanto puder. As imagens dela caminhando sozinha, sem ajuda, e serena no funeral do marido, no último sábado (17), são a prova de que segue forte. 

Símbolo da monarquia britânica

A rainha é um dos símbolos da estabilidade e solidez da monarquia britânica. É para ela que olham os súditos em tempos turbulentos como estes. Não por acaso, ela decidiu fazer um raro pronunciamento à população com uma mensagem de solidariedade aos tempos pandêmicos. Foi o quinto em 69 anos de reinado. Por sinal, o mais longo da história do Reino Unido.

Elizabeth II ainda é a mais querida entre os Windsor por 40% da população britânica, de acordo com a última pesquisa Ipsos Mori. Em segundo lugar, vem o príncipe William, com 32%. Charles aparece em sétimo, com 13%.

A mesma pesquisa mostra que a realeza é associada pelos britânicos à ideia de um país forte e ligado as tradições. É exatamente essa imagem que a rainha quer manter: é dela depende a sobrevivência da monarquia no século XXI. 

A famosa frase do duque de Edimburgo sobre a necessidade de se deixar o ego de lado e seguir trabalhando foi repetida muitas vezes nos últimos dias. Não terá sido por acaso que as dezenas de câmeras usadas para transmitir o funeral do consorte no Castelo de Windsor pegaram os irmãos William e Harry conversando após o enterro do avô. A mensagem foi lida como os primeiros indícios de uma reaproximação e, por que não, da unidade que a família se vê na obrigação de passar aos súditos.