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Dezenas de meninas vítimas de atentado a escola no Afeganistão são enterradas

09/05/2021 12h02

Dezenas de garotas foram enterradas neste domingo (9) em um cemitério localizado no topo de uma colina em Cabul, um dia após o ataque mais mortal em um ano no país, que teve como alvo uma escola para meninas. A série de explosões matou neste sábado pelo menos 50 pessoas e feriu cerca de 100, a maioria estudantes do ensino médio.

Dezenas de garotas foram enterradas neste domingo (9) em um cemitério localizado no topo de uma colina em Cabul, um dia após o ataque mais mortal em um ano no país, que teve como alvo uma escola para meninas. A série de explosões matou neste sábado pelo menos 50 pessoas e feriu cerca de 100, a maioria estudantes do ensino médio.

Um carro-bomba explodiu em frente à escola Sayed Al-Shuhada e duas outras explosões ocorreram quando as alunas tentavam escapar desesperadamente do local. A escola fica no bairro de Dasht-e-Barch, habitado por xiitas hazaras, no oeste de Cabul. O atentado aconteceu no momento em que os moradores faziam compras nas imediações, antes de um importante feriado esta semana, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã.

O bairro já foi alvo de ataques por extremistas islâmicos sunitas. O governo acusou o Talibã de estar por trás do massacre. "Este grupo de selvagens não tem capacidade para enfrentar as forças de segurança no campo de batalha, então atacam barbaramente prédios públicos e escolas de meninas", denunciou o presidente afegão, Ashraf Ghani, em um comunicado à imprensa.

Os insurgentes, porém, negaram qualquer responsabilidade e emitiram um comunicado dizendo que a nação deveria "proteger e zelar pelas escolas".

Os parentes das vítimas começaram a enterrar os mortos no "cemitério dos mártires", onde repousam as vítimas dos ataques contra a comunidade hazara. Os caixões de madeira foram colocados nas sepulturas por pessoas ainda em estado de choque, observou um fotógrafo da AFP.

"Corri para o local [após as explosões] e me vi entre corpos, ossos quebrados e mãos e cabeças decepadas", contou Mohammad Taqi, um morador de Dasht-e-Barchi, cujas duas filhas, que estudam na escola, sobreviveram ao ataque. "Todas essas pessoas eram meninas", lamentou.

Esta manhã, no local do atentado, livros e mochilas das vítimas ainda estavam espalhados pelo chão. Na semana passada, as alunas desta escola protestaram contra a falta de professores e material escolar, testemunhou Mirza Hussain, uma estudante do bairro. "Mas o que elas conseguiram foi um massacre", lamentou.

Retirada de tropas americanas

As explosões ocorreram quando o exército americano continua a retirar seus últimos 2.500 soldados ainda presentes no país, dilacerado por 20 anos de conflito e ainda atormentado pela violência.

Ao negarem envolvimento no ataque à escola, os talibãs disseram que não realizam atentados em Cabul desde fevereiro de 2020, quando assinaram um acordo com os Estados Unidos abrindo caminho para negociações de paz e a retirada das últimas tropas americanas. Entretanto, os insurgentes seguem envolvidos em combates diários com as forças afegãs no interior do país.

O principal diplomata dos Estados Unidos em Cabul, Ross Wilson, chamou as explosões de sábado de "hediondas". "Este ataque imperdoável contra crianças é um ataque ao futuro do Afeganistão, que não pode ser tolerado", disse Wilson no Twitter.

Há um ano, ataque a maternidade

No mesmo bairro, em maio de 2020, um grupo de homens armados atacou uma maternidade apoiada pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em plena luz do dia, matando 25 pessoas, incluindo 16 mães e recém-nascidos. Posteriormente, MSF decidiu encerrar o projeto. Meses depois, em 24 de outubro, um homem se explodiu em um centro de ensino particular no mesmo bairro, matando 18 pessoas, incluindo estudantes.

Com informações da AFP