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População da Índia pode ultrapassar a da China antes do esperado, revela novo censo chinês

11/05/2021 11h25

A população da China, que tem cada vez mais aposentados em comparação com os trabalhadores ativos, registrou o crescimento demográfico mais lento em décadas e, em breve, deve ser superada pela Índia em número de habitantes. 

A população da China, que tem cada vez mais aposentados em comparação com os trabalhadores ativos, registrou o crescimento demográfico mais lento em décadas e, em breve, deve ser superada pela Índia em número de habitantes. 

O país de maior população do mundo tinha oficialmente 1,411 bilhão de habitantes no fim do ano passado, anunciou Pequim nesta terça-feira (11) ao divulgar os resultados do censo decenal. 

Na comparação com a pesquisa de 2010, a população chinesa aumentou 5,38% em 10 anos (0,53% em média por ano), segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. É o avanço mais lento desde a década de 1960. 

Com este ritmo, o país pode perder o título de maior população do planeta mais rápido que o previsto. A Índia deveria registrar em 2020, segundo estimativas da ONU, 1,38 bilhão de habitantes. 

A população da Índia cresce na média de 1% por ano, segundo um estudo divulgado ano passado por Nova Délhi. 

A China já havia divulgado uma previsão de que a curva de crescimento populacional deve atingir o pico em 2027, quando a Índia superaria o vizinho. A população chinesa começaria, então, a diminuir, até chegar a 1,32 bilhão de habitantes em 2050. 

O porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas da China, Ning Jizhe, confirmou que o país se aproxima do "pico", mas não antecipou uma data. A população deve ser superior a 1,4 bilhão "durante um certo tempo", se limitou a declarar. 

A influência da Covid-19  

A queda da taxa de natalidade tem várias razões: diminuição do número de casamentos, o custo da habitação e da educação, a gravidez mais tardia das mulheres que priorizam a carreira, entre outras coisas. 

No ano passado, marcado pela pandemia, o número de nascimentos caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019, ano em que a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista, em 1949. 

A epidemia "aumentou as incertezas da vida cotidiana e a preocupação com o nascimento de um filho", reconheceu Ning. 

Em 2016 o país flexibilizou a política do filho único, permitindo que todos os chineses tenham um segundo filho. Mas a medida não serviu para estimular a taxa de natalidade, o que leva algumas pessoas a pedir o fim do limite de duas crianças por família. 

Os demógrafos advertem que o país pode registrar o mesmo fenômeno do Japão e Coreia do Sul - com excesso de idosos em comparação com a população jovem e ativa no mercado de trabalho. 

"A China acumula as vantagens de ser um país rico e ao mesmo tempo, as desvantagens de ser um país pobre", disse à RFI Emmanuel Lincot, especialista sobre a China. "Sem renovar a população, ela vai ter de enfrentar o problema de financiar as aposentadorias dos chineses", explica.

Em março, o Parlamento aprovou um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos. 

Mais equilíbrio entre gêneros 

De acordo com os resultados do censo, no ano passado o país tinha mais de 264 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, uma população que representa 18,7% do total do país, ou seja, um aumento de 5,44% na comparação com 2010. 

A população em idade ativa (15 a 59 anos) representa 63,35% do total, 6,79% a menos que na década passada. 

Outro dado reflete os desequilíbrios potenciais: a população "flutuante" de migrantes internos. Essas pessoas de zonas rurais que trabalham em cidades com pouca proteção social chegaram no ano passado a 376 milhões, um aumento de quase 70% em uma década. 

O governo, no entanto, parece ter conseguido atenuar o desequilíbrio entre sexos, induzido pela preferência tradicional por meninos e que pode resultar na eliminação de fetos do sexo feminino. 

A China registrou o nascimento de 111,3 meninos para cada 100 meninas, uma proporção em queda de 6,8 pontos percentuais na comparação com 2010. 

Os resultados do censo, publicados com várias semanas de atraso, provocam dúvidas entre alguns analistas, como o demógrafo Yi Fuxian, da Universidade do Wisconsin em Madison (Estados Unidos). 

A população chinesa está diminuindo desde 2018 e não superaria 1,28 bilhão de habitantes, afirma Yi Fuxian. 

Pequim estaria manipulando os números para evitar "um terremoto político" e não desestimular os investidores estrangeiros, destaca. 

(Com AFP)