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Fim de trégua no Afeganistão: combates são retomados entre o governo e o Talibã

16/05/2021 09h13

Os combates recomeçaram neste domingo (16) no Afeganistão, após o fim de uma trégua entre as forças do governo afegão e os talibãs, decretada por causa do feriado muçulmano de Eid-al-Fitr, que marca o fim do Ramadã. Os confrontos acontecem no contexto da retirada dos últimos soldados americanos do país.

Os combates recomeçaram neste domingo (16) no Afeganistão, após o fim de uma trégua entre as forças do governo afegão e os talibãs, decretada por causa do feriado muçulmano de Eid-al-Fitr, que marca o fim do Ramadã. Os confrontos acontecem no contexto da retirada dos últimos soldados americanos do país.

Afrontamentos foram registrados nos arredores de Lashkar Gah, capital da província de Helmand. A região tem sido palco de intensos combates desde 1º de maio, quando os Estados Unidos deveriam ter retirado seus 2.500 soldados ainda presentes no local.

"Os combates começaram esta manhã e ainda continuam", disse Attaullah Afghan, chefe do conselho provincial de Helmand. Ele afirmou que o Talibã atacou vários postos de controle ao redor da capital provincial e em outros distritos. Um porta-voz do exército afegão no Sul também confirmou a retomada das hostilidades.

"Eles [as forças afegãs] estão na origem das operações", disse, por sua vez, o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid. "Não nos culpe por isso," acrescentou.

Tropas americanas devem sair em setembro

Os Estados Unidos, que buscam encerrar sua guerra mais longa, deveriam ter retirado todas as tropas ainda presentes no Afeganistão no dia 1º de maio, de acordo com o pacto firmado pelo governo de Donald Trump com o Talibã, em 2020, no Catar.

Porém, ao confirmar a retirada total das tropas, o atual presidente americano, Joe Biden, adiou esse prazo para 11 de setembro, no 20º aniversário dos atentados de 2001 nos Estados Unidos, despertando a ira do Talibã.

As forças governamentais continuaram a receber apoio aéreo crucial dos Estados Unidos e não há indicação de que serão capazes de conter o ataque do Talibã sem a ajuda de Washington. "Vai ser muito difícil para realizarmos as operações", disse um oficial afegão sob condição de anonimato, após a saída das forças americanas da base aérea de Kandahar, que já foi a segunda maior do país. "Nossos aviões não podem voar à noite, então as operações noturnas serão complicadas", acrescentou a mesma fonte.

A frágil trégua foi interrompida na sexta-feira (14) pela explosão de uma bomba em uma mesquita nos arredores de Cabul, na qual 12 fiéis, incluindo o imã local, morreram.

O Talibã negou qualquer responsabilidade pelo ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), segundo a agência americana SITE, especializada no monitoramento da atividade online de grupos jihadistas.

Duas décadas de conflitos

Essa foi a quarta trégua celebrada entre o Talibã e as forças do governo, em 20 anos de conflito. Negociadores do Executivo afegão e membros da liderança do movimento Talibã se reuniram na sexta-feira, no Catar, para discutir as negociações de paz, que estão paralisadas há meses.

"As duas partes concordaram em continuar as negociações" após o Eid al-Fitr, disse o Talibã em um tuíte.

Porém, os insurgentes estão cercando cada vez mais os grandes centros urbanos, sugerindo que esperam a retirada dos americanos para desencadear ofensivas massivas.

No dia 8 de maio, mais de 50 pessoas foram mortas e outras cem ficaram feridas em um distrito xiita da capital afegã após a explosão de bombas colocadas em frente a uma escola para meninas. As autoridades locais culparam o Talibã pelo ataque.  

 

(Com informações da AFP)