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"Manifestações colocam Lula no centro das discussões", analisa sociólogo e professor da UFRJ

31/05/2021 13h12

Manifestações gigantes aconteceram no Brasil no último sábado (29). Centenas de milhares de pessoas foram às ruas para protestar principalmente contra a gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro. Para Paulo Baía, cientista político, sociólogo e professor da URFJ, os atos, com participação massiva de jovens, colocaram Lula no centro das discussões.

Manifestações gigantes aconteceram no Brasil no último sábado (29). Centenas de milhares de pessoas foram às ruas para protestar principalmente contra a gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro. Para Paulo Baía, cientista político, sociólogo e professor da URFJ, os atos, com participação massiva de jovens, colocaram Lula no centro das discussões.

Os protestos do chamado "29M" também aconteceram no exterior, como em Paris. Mas a mídia tradicional brasileira praticamente ignorou o evento, ao contrário de jornais como o britânico Guardian ou o francês Le Monde, que abriram espaço para relatar o evento.

"Essas manifestações colocaram Lula no centro do debate político", observa Paulo Baía, "criando ao mesmo tempo uma tensão na linha editorial dos jornais tradicionais, que são contra Bolsonaro, mas que trabalharam pela prisão do petista".

"Estamos vivendo uma situação atípica há algum tempo, sobretudo desde a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018", explica o sociólogo, citando ainda as mobilizações pela destituição de Dilma Rousseff em 2016.

Pandemia evidencia crise estrutural

"Agora a população está sendo impactada pela Covid, não só no aumento das desigualdades estruturais, assim como nas questões conjunturais, com as mortes e o sistema de saúde se mostrando mais precário ainda, tendo de lidar não só com a grande demanda de casos de contaminados, como de doenças comuns", diz Baía.

"Há um enorme esforço de vários setores da sociedade de alertar a população para diminuir os riscos, através de medidas como o isolamento social, e o uso de máscaras, como medidas imediatas", diz Baía. Isso, "ao mesmo tempo em que se pressiona o governo, que é negacionista e não tomou providencias adequadas para que a população fosse vacinada, como aconteceu na Europa, nos Estados Unidos ou no Canadá", acrescenta.

"A imprensa tradicional se posicionou em uma linha de ser contra as manifestações em função de apoiar o isolamento; muitos órgãos não apoiaram a convocação para o dia 29 como um movimento pelo impeachment e por vacinas para todos imediatamente", relata o sociólogo.

"População massacrada"

"A população massacrada estava sufocada, então o 29M foi praticamente inevitável", diz Baía, fazendo uma comparação com a música de Chico Buarque que diz: "deixa em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa e qualquer desatenção pode ser a gota d'agua".

Para o sociólogo, as pessoas estão animadas e esperançosas: "O 29M retomou a ideia de que as ruas não são monopólio de bolsonaristas".

Ele acredita que as manifestações tendem a crescer, apesar do paradoxo de se fazer atos pela vacina para se proteger. Ele destaca a presença massiva dos jovens, ainda não vacinados: "Eles estão colocando seus corpos em defesa da saúde, da liberdade e da democracia".