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Organizações garantem que doação de 1 bilhão de vacinas para países pobres é "insuficiente"

11/06/2021 10h38

Reunidos em cúpula na Inglaterra, os países do G7 prometem ceder 1 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 aos países pobres - mas a doação está longe de ser suficiente para imunizar as populações menos favorecidas. Organizações que atuam nestes lugares criticam o "egoísmo vacinal" das economias mais desenvolvidas do planeta.

Reunidos em cúpula na Inglaterra, os países do G7 prometem ceder 1 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 aos países pobres - mas a doação está longe de ser suficiente para imunizar as populações menos favorecidas. Organizações que atuam nestes lugares criticam o "egoísmo vacinal" das economias mais desenvolvidas do planeta.

Entidades como Oxfam e Human Rights Watch, algumas das que encabeçam a luta por uma distribuição mais igualitária dos imunizantes, estimam que seriam necessárias 11 bilhões de doses ainda neste ano. Este é também o número que a indústria farmacêutica indica ser capaz de fabricar em 2021.

Até o momento, um quarto das 2.295 bilhões de doses aplicadas no mundo ocorreram nos países do G7 - que abrigam apenas 10% da população mundial. A desigualdade é considerada "grotesca" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que vê nisso "um fracasso moral catastrófico" da humanidade.

Prioridade para quem pode pagar

Os Estados Unidos e a União Europeia prometeram vacinar a maioria de suas populações até o fim do verão no hemisfério norte, em vez de limitar suas campanhas vacinais para o estritamente necessário - e, desta forma, viabilizar que mais países tenham acesso aos imunizantes disponíveis. Nestes lugares, nem o público prioritário, nem os trabalhadores da saúde puderam ser imunizados até agora.

Os países de baixa renda, conforme a definição do Banco Mundial, receberam apenas 0,3% das doses injetadas. A média mundial é de 29,45 doses por 100 mil habitantes - mas este número é resultado de imensas disparidades. Na África, cai para 2,8, enquanto que, nos países do G7, desponta para 73.

Neste ritmo, a OMS alerta há meses que o risco de aparecimento de variantes mais perigosas ameaça o mundo inteiro, inclusive os que já estão com a imunização avançada. Na semana passada, o sistema Covax da organização, que garante maior equilíbrio na distribuição das vacinas, recebeu fundos extras para a compra de 1,8 bilhão de doses direcionadas aos países de baixa renda.

Os produtos serão entregues em 2021 e início de 2022, e permitirão proteger cerca de 30% da população de 91 países pobres, além da Índia, destino de 20% do total de doses disponíveis. Isso significará a imunização de em torno da metade das populações adultas destes países, conforme a Aliança da Vacina.

Entraves para a distribuição das vacinas

Em 8 de junho, a Covax tinha entregue apenas 81 milhões de doses em 129 países e territórios - muito abaixo do objetivo, apesar da insistência do organismo por mais solidariedade dos países ricos.

No começo, quando a quantidade de vacinas ainda era escassa, o programa acabou sendo vítima da cobiça das nações mais desenvolvidas, que fecharam os contratos mais volumosos com as fabricantes. Na sequência, a Covax sofreu as consequências da explosão da pandemia na Índia - a maior parte das doses viria do Serum Institute of India, fabricante do imunizante da AstraZeneca, mas o país se viu obrigado a congelar as exportações para poder utilizar a produção nacional na própria Índia, para enfrentar o surto que já dura meses.

Com informações da AFP