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Associação celebra Dia Mundial dos Refugiados com grande passeio de bicicleta por Paris

17/06/2021 14h02

As Nações Unidas estimam que, pelo menos até meados de 2020, o mundo já somava cerca de 26 milhões de refugiados. A França está entre os destinos que acolhem essas pessoas em condição de vulnerabilidade, que são obrigadas a se adaptarem a uma nova cultura e que, tantas vezes, se veem distantes de um acolhimento social. Uma associação de voluntários de Paris decidiu reduzir essa distância... pedalando!

As Nações Unidas estimam que, pelo menos até meados de 2020, o mundo já somava cerca de 26 milhões de refugiados. A França está entre os destinos que acolhem essas pessoas em condição de vulnerabilidade, que são obrigadas a se adaptarem a uma nova cultura e que, tantas vezes, se veem distantes de um acolhimento social. Uma associação de voluntários de Paris decidiu reduzir essa distância... pedalando!

A entidade, chamada cycl'Avenir, faz das bicicletas um meio de promover autonomia e socialização, e organiza para o próximo domingo (20), Dia Mundial dos Refugiados, um grande passeio pelas ruas da capital francesa, visitando grandes monumentos, com direito a lanchinho, acompanhamento de guias conferencistas e até batucada, com o bloco de carnaval de rua Foliões Unidos, saudando cada grupo de ciclistas que chegar às margens do rio Sena.

Co-fundadora da associação, Fernanda Hinke destaca que a data, criada no ano 2000 pela ONU, confere mais atenção a esses indivíduos que foram, por diversas questões, obrigados a deixarem suas casas: "É uma forma de saudar a esperança dessas pessoas de reconstruírem suas vidas em outro lugar com mais segurança".

Muito mais do que a oportunidade de conhecer melhor a capital francesa, o passeio se firma como importante oportunidade de interação, socialização e acolhimento. "Queremos que seja um evento cultural e bastante festivo", sintetiza Fernanda, em entrevista à RFI.

Fundada em 2020 e atuando em parceria com outras entidades, como France Terre d'Asile, Emmaüs Solidarité e Play International, a cycl'Avenir tem como uma das principais atividades algo que pode parecer simples, mas que se revela um importante fator de transformação social: ensinar refugiados a andarem de bicicleta. "A gente acha que todo mundo sabe andar de bicicleta, mas não é a verdade. Muita gente não sabe", alerta a voluntária. "Saber andar de bicicleta empodera essas pessoas, cria oportunidades de socialização, de integração na sociedade, além de servir para a locomoção, para o lazer", acrescenta.

Refugiadas recebem bicicletas

Para atender mais - e melhor - seu público, a associação busca aumentar seu grupo de voluntários e o volume de adesões, que viabilizam financeiramente as ações. "Nossos cursos de bicicleta acontecem quase todos os dias da semana, em diferentes centros de acolhimento. E muitas vezes nos ocupamos também de crianças monoparentais, quando atendemos suas mães. Ao final do curso, as mulheres do programa 1, chamado En s'elle(s), ganham uma bicicleta", conta Fernanda.

A cycl'Avenir recebeu este ano o Budget Participatif de Paris, um tipo de orçamento em que a população escolhe em que projeto parte dos recursos financeiros públicos será aplicada. A associação concorreu com mais de 700 projetos apresentados e conquistou o 11° lugar. "Estamos muito felizes com isso, porque a gente sabe que a bicicleta realmente move e une pessoas", vibra a co-fundadora da associação.

Ainda que a cycl'Avenir tenha sido criada há menos de dois anos, a bicicleta como elemento transformador na vida de Hinke não é recente. Desde 2013, ela leva turistas, principalmente brasileiros, para conhecerem Paris e outras cidades da França sobre duas rodas e pedalando. Um dos passeios mais procurados, o Meia-Noite em Paris, explora a cidade luz a partir das 22h e se estende até 1h da manhã. "É um passeio belíssimo, à noite, quando a cidade está mais vazia", comenta. As viagens para outras cidades acontecem pela parceria Conexão Paris Viagens.

O passeio de bicicleta para celebrar o Dia Mundial dos Refugiados acontece em colaboração com a plataforma Benenova e a Paris Bike Tour. "Para a gente, a bicicleta é uma causa, a qualidade no espaço público de locomoção", enfatiza.

O passeio será organizado em grupos de no máximo 12 pessoas cada, respeitando as regras de segurança sanitária. Os Foliões Unidos irão receber com música os refugiados-ciclistas ao fim do programa, mas não haverá formação de bloco, para evitar aglomerações, também em respeito às medidas sanitárias.